Prefeito Eduardo Leite (esq) assinou contrato para obra. Foto: Baguete.

A prefeitura de Pelotas assinou nesta quarta-feira, 16, o contrato para a construção da sede do Pelotas Parque Tecnológico, um investimento de R$ 3,7 milhões obtido junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

O objetivo é que em oito meses o local esteja pronto para abrigar oito empresas instaladas e 19 incubadas, gerando cerca de 400 empregos.

A meta é atrair empresas ligadas a TI e economia criativa, das quais cerca de 200 já estão instaladas na cidade hoje.

Algumas delas são destaques no cenário nacional, como a AG2 Publicis Modem, uma das maiores agências digitais do país, que no ano passado investiu R$ 1 milhão no seu centro de desenvolvimento local, e a empresa de e-learning Gestum.

“Queremos uma cidade que seja um ambiente estimulante para aproveitar o talento local”, afirma Eduardo Leite (PSDB), prefeito de Pelotas. “Nosso passado é glorioso, mas não podemos seguir vivendo dele. Precisamos pensar no futuro”, agrega.

A própria localização do Pelotas Parque Tecnológico não deixa de ser símbolo de um novo clima de otimismo na cidade, que visa deixar para trás um processo de estagnação econômica de quase duas décadas.

O local será instalado em um complexo de quadras de pádel cobertas idealizado por empresários locais no auge da febre do esporte nos anos 90.

Fechado antes de abrir há 15 anos atrás, o local, situado num terreno do tamanho de um campo de futebol em uma área nobre da cidade, foi desapropriado pela prefeitura a um custo de R$ 3 milhões e parece a própria imagem do passado que a cidade visa deixar para trás.

Com seis instituições de ensino superior e mais de 30 mil estudantes universitários Pelotas tem a seu favor um custo de mão de obra menor e menos disputa por talentos em relação a grandes centros.

“É fácil instalar uma empresa aqui. Além disso, Pelotas tem um clima diferenciado, com muito verde, opções gastronômicas e uma vida cultural que nenhuma outra cidade do interior tem”, afirma o secretário de Desenvolvimento  Fernando Estima.

Dos 14 parques em diferentes regiões no Rio Grande do Sul, o de Pelotas é, junto com o de Canoas, o único a ser liderado pela prefeitura.

Foi visando mostrar o setor de TI da cidade que a Estima organizou o Digital Cities, um evento que reuniu 70 empresas, entidades setoriais e parques tecnológicos dentro do quase centenário Teatro Guarani, usando os camarotes como salas de exposição.

Estima, pela primeira vez em um cargo público, é um empresário, conhecido na cidade e nome por trás de eventos como a Expo Arroz e a Feira do Pólo Naval, além de ter presidido a tradicional Fenadoce.

O secretário é um dos nomes do meio empresarial que Leite, que aos 28 anos é o prefeito mais jovem do Rio Grande do Sul, tem ouvido na sua busca por tirar Pelotas do marasmo.

Outro é o pelotense Mateus Bandeira, ex-presidente do Banrisul, que atualmente está na frente do INDG, a maior consultoria de gestão do país.

Conseguirá Pelotas criar uma versão digital do seu passado glorioso? O negócio é pedir um quindim e um café no Café Aquários e esperar para ver o que acontece.

Maurício Renner viajou a Pelotas a convite da organização do Digital Cities.