Barclays tomou uma decisão importante. Foto: flickr.com/photos/solvencyiiwire/.

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O Barclays, um dos maiores bancos do mundo, fechou um contrato de 10 anos com a HPE para usar a plataforma GreenLake como base da sua nuvem privada global.

Com a decisão, o banco vai dar um upgrade da infraestrutura espalhada pelos seus diversos data centers próprios e co-locations espalhados pelo Reino Unido, Estados e Ásia, segundo revela o site britânico The Register.

O contrato inclui mais de 100 mil cargas de trabalho, incluindo desktops virtuais, bancos de dados SQL, Windows Server e Linux.

O GreenLake é uma oferta de hardware como serviço, no qual o cliente paga um valor mínimo e tem a opção de ter capacidade de processamento reservada para picos. O valor do gasto é baseado no uso, assim como nas grandes nuvens públicas.

A escolha do Barclays é chamativa, em um momento em que muitos grandes players no setor financeiro estão tomando decisões no sentido contrário, migrando sua infra para grandes players de nuvem como a AWS e o Google, inclusive no Brasil.

O próprio Barclays chegou a fazer uma tentativa de ir para a AWS em 2018. Na época, o site Computerweekly falou que o plano do banco era fechar os seus data centers e levar tudo para a nuvem. Pelo visto, o banco desistiu do projeto.

O Barclays tem uma presença discreta no Brasil, atuando apenas com serviços de assessoria e consultoria para grandes empresas, sem uma presença no varejo como em outros países.

Por outro lado, os dilemas dos grandes bancos são parecidos em todo o mundo.

Todos são instituições com grandes legados e expertise na área (o Barclays instalou o primeiro ATM do mundo em Londres, no ano de 1967, quando a então HP estava saindo de uma garagem e Jeff Bezos tinha três anos) e estão agora em uma encruzilhada: migrar para a nuvem ou não.

Talvez por serem integrantes de um setor altamente regulado, os bancos têm migrado num ritmo menor do que a média do mercado.

De acordo com uma pesquisa da CIO Surveys de 2020, só 16% das empresas do setor de serviços financeiros adotaram nuvens públicas, abaixo da média de mercado de 24%.

Mas alguns grandes exemplos de migrações já estão pipocando, um deles no Brasil, onde o Itaú fechou um grande contrato de 10 anos com a AWS neste ano, visando migrar 50% da infraestrutura do banco para a nuvem até o fim de 2022.

É um sinal dos tempos. Até pouco tempo atrás, o banco estava apostando pesado em construir a sua própria infraestrutura.

Em 2015, aumentou em 25 vezes a sua capacidade instalada, construindo um data center em Mogi Mirim com um investimento de R$ 3,3 bilhões.

Os planos abandonados previam ainda a construção de mais dois data centers entre 2021 e 2023 e outros dois até 2035, sempre no mesmo local.

A decisão do Barclays mostra que um rumo alternativo seria possível e é uma grande vitória para a HPE, que bateu na disputa seus concorrentes clássicos do mundo do hardware como Dell e IBM, que também tem suas apostas híbridas, e, mais importante ainda, se provou uma alternativa para o domínio da AWS.