99 é um dos apps de transporte mais usados no país.

O aplicativo de transporte 99 fechou um acordo com a ONG feminista Think Olga para promover um monitoramento dos comentários deixados no app visando identificar casos de assédio sexual na plataforma. 

Em nota, a 99 explica ter criado um “rastreador de comentários” que identifica automaticamente denúncias de assédio na plataforma, analisando o conteúdo das avaliações deixadas pelos clientes. 

A reportagem do Baguete chegou a perguntar por mais detalhes pelo tipo de software análitico usado pela 99 e como ele foi “treinado”, mas a 99 preferiu se ater aos termos genéricos divulgados para a imprensa.

De acordo com a empresa, a solução analisa uma “série de palavras e contextos que podem estar relacionados a assédios”, gerando um alerta que é checada por uma equipe humana.

Provavelmente, a 99 alimentou um algoritmo com os comentários deixados por clientes que depois vieram a relatar assédio, permitindo assim que ele consiga identificar comentários que exibam a probabilidade de ser influenciados por um assédio não reportado.

De acordo com a 99, 18 milhões de passageiros e 600 mil motoristas usam a plataforma em 1 mil cidades do Brasil, o que oferece uma amostragem grande de comentários para avaliação.

Talvez mais importante que os algoritmos de detecção, que no final das contas poderiam ser substituídos por um grupo de estagiários lendo comentários selecionados a partir de algumas dezenas de palavras chave, sejam a política de tratamento interno do assunto.

Em colaboração com a Think Olga, a 99 desenvolveu ainda, ao longo de mais de seis meses, um protocolo de atendimento humanizado (que inclui suporte, resolução e acompanhamento) a eventuais vítimas de assédio, preconceito e qualquer forma de discriminação. 

A equipe de segurança foi capacitada dentro de “preceitos de feminismo” para ser capaz de cuidar dos casos com responsabilidade e conhecimento de causa. A Think Olga foi criadora de campanhas que causaram repercussão no último ano, como Chega de Fiu Fiu e #primeiroassedio.

"O trabalho que desenvolvemos com a 99 é pioneiro. Além de criar uma nova tecnologia em prol da segurança, garante também a humanização de todo o processo de atendimento, colocando a vítima em primeiro lugar”, afirma Mariana Cordeiro, gerente sênior de Estratégia da Think Eva, braço de consultoria da ONG.

Segundo pesquisa do Datafolha, 42% das brasileiras em São Paulo já sofreram assédio e problemas envolvendo condutas inapropriadas de motoristas de aplicativos são recorrentes, a ponto de terem gerado um mercado paralelo de apps que só aceitam motoristas mulheres.