Uma piscadinha e a conta está paga. Foto: Pexels.

A Drogaria Iguatemi começou um projeto piloto de pagamento por reconhecimento facial, usando tecnologia da Payface.

A novidade, criada em parceria com a Cielo, está sendo oferecida primeiro por 30 dias na loja do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Depois, devem ser incluídas as três outras lojas na capital paulista e na de Curitiba.

O consumidor final faz o cadastro  prévio de seu rosto e de seu cartão de crédito no aplicativo da Payface. Ao fazer uma compra na loja, ele pode realizar a transação sem precisar de carteira ou celular e sem encostar no aparelho de leitura. 

O rosto é registrado em movimento e não pode ser fraudado com fotos dos usuários. A tecnologia permite que o cliente seja reconhecido mesmo usando máscara. 

"Vamos ser inovadores ao lançar o pagamento facial e incluir essa novidade para nossos clientes em primeira mão, usando cada vez mais tecnologia em nossas lojas”, afirma Leonardo Diniz, CEO da Drogaria Iguatemi. 

Fundada em 2018, a Payface é uma das startups quentes no segmento de biometria facial.

No ano passado, a empresa captou R$ 3 milhões em rodada seed liderada pela empresa BRQ Digital Solutions, o fundo Next A&M e a aceleradora Darwin Startups.

Também participaram grupos apoiados pela Harvard Angels e Nikkey Empreendedores do Brasil (NEB), além de investidores individuais, como Conrado Engel, ex-presidente do HSBC no Brasil.

A Payface foi fundada em 2018, em Florianópolis, por Eládio Isoppo e Ricardo Fritsche, que já haviam empreendido antes em outras startups.

Em 2012, Isoppo participou da fundação da Aquarela, startup de Big Data, e, em 2014, criou o H2App, aplicativo para compra de galões de água sem sair de casa. Este último foi vendido para os acionistas de uma indústria de água mineral do sul do país. 

Já Fritsche havia cofundado a Meritt em 2009, edtech que tem o objetivo de usar a inteligência no uso de dados para melhorar o processo de ensino e aprendizado dos alunos.

MERCADO EM ALTA

O mercado de identificação, ou biometria, é quente, devendo chegar a R$ 1 bilhão até o final do ano, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (Abrid).

Um dos mercados mais quentes é o de bancos e fintechs, que usam o reconhecimento do rosto como uma forma de evitar fraudes. Outros são o varejo e o comércio eletrônico.

No ano passado, Itaú, Banco Pan, Nubank, SulAmérica, Gol, Viajanet e outros anunciaram projetos na área, muitas vezes sem abrir quem é o fornecedor.

Outros concorrentes vêm despontando, embalados por dinheiro de fundos de investimento. 

Uma das que mais levantou dinheiro foi a Idwall. Fundada em 2016, a companhia já recebeu R$ 51 milhões em três rodadas de investimento. A empresa já conta com clientes como Loggi, Movida, Cielo, Banco Original, OLX, entre outras.

A Unike Technologies, uma startup de biometria facial, captou na semana passada um aporte de R$ 3 milhões, em uma transação liderada pela Reussite, fundo liderado por Isaac Lazera, sócio da Extrafarma.

Os valores são todos fichinha perto do capital da Acesso Digital, que recentemente levantou nada menos que R$ 580 milhões em rodada série B liderada pelo Softbank e pela General Atlantic.