Dilma não tá contente nas redes sociais. Foto: divulgação.

Um levantamento realizado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Governo Federal aponta que os protestos das últimas semanas são reflexos de uma guerra que o governo vem perdendo nas redes sociais.

Segundo o relatório, divulgado pelo Estadão, a comunicação foi "errada e errática" no tratamento das manifestações de descontentamento, que culminaram nos protestos que foram às ruas do país no último dia 15.

"As forças políticas que elegeram Lula e Dilma são minoritárias nas redes socais desde os movimentos de 2013. Isso por uma singularidade clara do mundo digital: o Facebook, o twitter, o G+, etc, são espaços privilegiados para o ataque, a zombaria e a propagação de palavras de ordem", destacou o estudo.

Segundo a Secom, o erro de 2015 foi o mesmo de 2011, em que a militância digital a favor do governo se acalmou após vencer a eleição. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas , durante o pleito eleitoral, tuítes pró-Dilma - entre eles a conta Dilma Bolada, uma das mais seguidas - chegavam a 600 mil por dia, enquanto que nos meses seguintes foram quase extintos.

"Principal vetor de propagação do projeto dilmista nas redes, o site Muda Mais acabou. Os robôs que atuaram na campanha foram desligados e a movimentação dos candidatos do PT no microblog foi encerrada", afirmou a secretaria.

Por outro lado, mesmo derrotado nas urnas, o movimento da oposição não se enfraqueceu. Cerca de 50 robôs usados na campanha de Aécio continuaram a operar no Twitter mesmo depois da derrota em outubro. 

"Isso significou um fluxo contínuo de material anti­Dilma, alimentando os aecistas e insistindo na tese do maior escândalo de corrupção da história, do envolvimento pessoal de Dilma e Lula com a corrupção na Petrobras e na tese do estelionato eleitoral", aponta o levantamento, que também citou o WhatsApp como um meio de propagação deste material.

O estudo também citou o crescimento da página do grupo Revoltados Online no Facebook, que desde janeiro teve o engajamento de 16 milhões de pessoas nos últimos três meses. O Vem Pra Rua, outro site de intuito semelhante, chegou a 4 milhões. 

Por outro lado, as páginas do Facebook favoráveis à Dilma Rousseff e PT foram compartilhadas por 3 milhões de pessoas. Para complicar, o estudo aponta que muito do conteúdo a favor do governo teve sua divulgação principalmente em meio a um público que já apoiava a situação.

Em estimativas iniciais, a manutenção dos robôs do PSDB, a geração de conteúdo nos sites pró-­impeachment e o pagamento pelo envio de Whatsapp significaram um gasto de quase R$ 10 milhões entre novembro e março. 

A estratégia agressiva dos movimentos oposicionistas deu resultado: em fevereiro as ações em redes sociais conseguiram atingir 80 milhões de brasileiros. As páginas do Planalto e pró-PT não passaram dos 22 milhões.

"De um lado, Dilma e Lula são acusados pela corrupção na Petrobras e por todos os males que afetam o País. Do outro, a militância se sente acuada pelas acusações e desmotivada por não compreender o ajuste na economia. Não é uma goleada. É uma derrota por WO", disparou a secretaria do Governo Federal.

Para recuperar o jogo perdido, a Secom aponta medidas difíceis. O governo precisa virar um quadro em que 32% da população mudou negativamente de opinião sobre o governo nos últimos seis meses, conforme dados do Ibope.

Usando termos militares, a secretaria afirmou que a "guerrilha política" das redes sociais precisa "ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele".

Outro ponto sugerido pela secretaria é que a publicidade oficial em 2015 seja focada em São Paulo, reforçando parcerias com a prefeitura local e levantando a popularidade de Fernando Haddad, que apesar de ter apenas 20% de aprovação na cidade, cresceu em relação ao início de sua administração.

Já a popularidade da presidente Dilma Rousseff chegou a um recorde negativo, com apenas 13% de aprovação, segundo o Datafolha divulgou nesta quarta-feira, 18.

Para fechar o estudo, a Secom fez uma analogia ao caso do terremoto de Lisboa em 1775, em que o rei Dom José perguntou ao marquês de Alorna o que podia ser feito e recebeu a sugestão de sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos.

"Não adianta ficar reclamando e discutindo como teria sido se o terremoto não tivesse ocorrido. Cuidar dos vivos, é que depois de enterrar o passado, temos que cuidar do que sobrou, dar foco ao presente. Fechar os portos, evitar o pânico entre os nossos, impedir o salve-­se quem puder, a fuga em massa", finaliza a Secom.