Satoru Iwata. Foto: divulgação.

Famosa por mais de três décadas por seus videogames e consoles próprios, a Nintendo anunciou nesta terça-feira, 17, uma guinada radical em novas direções com o anúncio do desenvolvimento de jogos para plataformas mobile.

A gigante japonesa firmou uma parceria com a conterrânea DeNA, bilionária desenvolvedora de games móveis, para levar suas franquias do videogame para plataformas móveis.

A decisão da Nintendo pegou o mercado de surpresa, embora não tenha sido assim tão inesperada, tampouco uma mudança radical de direção para a companhia. Além de anunciar a parceria com a DeNA, a companhia revelou o desenvolvimento de um novo console, o NX, que deve ser lançado dentro dos próximos anos.

"Não espere uma troca de rumo para a Nintendo. Mobile é uma expansão do alcance atual da empresa e não uma retirada do mercado de games para consoles", afirmou o site norte-americano TechCrunch.

Para ilustrar que o segmento de consoles próprios, como o WiiU e o DS, a Nintendo divulgou que cinco de seus principais lançamentos no ano passado venderam cerca de dois milhões de unidades em apenas seis meses.

Vale lembrar que boa parte dos grandes lançamentos - como jogos das franquias Super Mario Bros, Donkey Kong, Zelda, entre outros - dos consoles Nintendo são desenvolvidos com propriedades intelectuais próprias e exclusivas aos aparelhos da fabricante.

De acordo com o presidente da Nintendo, Satoru Iwata, a presença nos dispositivos móveis também servirá como um meio de conexão com seus produtos para consoles.

“Agora de decidimos que vamos usar os dispositivos móveis, chegamos a uma visão e comprometimento ainda mais fortes para nossos negócios dedicados aos consoles de video game", afirmou Iwata.

Mesmo assim, Iwata foi firme em dizer que os consoles seguem sendo o carro-chefe da companhia, o que foi reforçado com o anúncio do NX, embora nenhum detalhe específico foi dado sobre o possível sucessor do WiiU.

Além dos jogos, a parceria com DeNA também envolverá a criação de um marketplace de aplicações e games, com interoperabilidade entre PCs, celulares e consoles Nintendo, mas as empresas não deram detalhes de como isso deverá funcionar.

Mesmo assim, ambas as companhias garantiram que os jogos a serem lançados para dispositivos móveis não serão meros ports de games já desenvolvidos para outros consoles Nintendo. Eles devem ser repaginados e redesenhados para se adequar ao estilo de jogo nas telas de smartphone.

A forma de monetização dos jogos mobile da parceria - se será baseada em compra única ou com conteúdos premium comprados via microtransações in-app - também não foi revelada. Segundo fontes ligadas à Nintendo, outra possibilidade é de oferecer games em um formato de assinatura, o que faria sentido no ambiente multiplataforma sugerido pela companhia.

O foco na venda digital de conteúdos multiplataforma pode ter efeitos positivos inclusive no Brasil, mercado do qual a Nintendo se retirou no início de 2015, após o término do contrato de quatro anos com a Gaming, empresa responsável pela distribuição dos produtos da multinacional.

O desejo de sair do mercado brasileiro parece ter saído da própria Nintendo, segundo destacou a marca japonesa em nota à imprensa. Segundo a fabricante, o cenário de distribuição e impostos no país tornou a distribuição local de games e consoles insustentável para a empresa.