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A demanda de equipamentos gerada pelo leilão do 4G no Brasil vai contar com a ajuda do BNDES.

Linhas de financiamento específicas serão criadas, anunciou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nessa quinta-feira, 17.

O anúncio pode acalmar as empresas de telecom, que até o ano passado, na sua maioria, se opunham à realização do leilão.

Segundo o BNDES, as linhas serão tanto para operadoras que queiram adquirir da indústria local, quanto para fabricantes que desenvolvam equipamentos para a tecnologia.

Já o ministério diz que a proposta em estudo pelo governo é que o banco dê apoio financeiro às operadoras na implantação das redes do 4G.

TELES CONTRA
A conta das teles já inclui o preço mínimo fixado pela Anatel para o leilão  – em R$ 3,85 bilhões – , além de garantia exigida pela agência, superior a R$ 1 bilhão.

Até a fixação da data do leilão, as teles se dividiam. TIM, Vivo e Oi queriam um adiamento, argumentando que seria melhor investir mais na tecnologia 3G, que ainda não atinge todo o território nacional.

A Claro, no entanto, defendeu a realização do leilão nos prazos do governo.

PRESSÃO CONTINUA
Na semana passada, as quatro maiores operadoras do Brasil se uniram e apresentaram à Anatel sugestões de mudanças e pedidos de impugnação de itens do edital do leilão de 4G, previsto para 12 de junho.

O Conselho Diretor da agência tem até 05 de junho para dar a resposta ao pedido das operadoras.

CONTEÚDO NACIONAL
Pelas regras do leilão, aprovadas no mês passado pela Anatel, as empresas que vencerem a licitação das faixas destinadas à telefonia 4G deverão usar pelo menos 60% dos equipamentos fabricados no país em suas redes entre 2012 e 2014.

Nos dois anos seguintes, o percentual dos investimentos em aquisição de bens e produtos com tecnologia nacional passa para 65% e, entre 2017 e 2022, para 70%.

ATÉ A COPA
Segundo o governo, que leiloará as faixas de frequência para a tecnologia em junho, a meta é ter o 4G, ao menos nas cidades-sede da Copa do Mundo, até o ano do avento: 2014.

Relatório da empresa de pesquisa em tecnologia Pyramid indica que o Brasil terá mais de 18 milhões usuários do sistema LTE até o final de  2015, apesar do ceticismo de algumas operadoras quanto à capacidade do país para implementar essa tecnologia.

Estudo divulgado pela GSA Association aponta que as implantações comerciais das redes LTE – tecnologia do 4G – em 2011, quase dobraram no mundo frente o ano anterior, passando de 15 para 29.

Segundo a pesquisa da GSA, Evolution to LTE, são 285 operadoras que já têm planos ou estudos em andamento para implantação de redes com a tecnologia de conexão.

A previsão da GSA Association é que ao final de 2012, sejam 119 redes comerciais em 50 países.

No Brasil, o 4G já está operando pela Sky em Brasília, apenas para comunicação de dados por modem. Enquanto o leilão não chega, as operadoras têm se voltado para o HSPA+, ou 3G+, que garante uma velocidade até três vezes maior que a 3G.