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Frente da Economia Digital já afundou

Maurício Renner
// quinta, 18/05/2017 08:41

Foi criada nesta quarta-feira, 17, em Brasília a Frente Parlamentar Mista de Economia Digital, uma iniciativa que os acontecimentos do final do dia devem tornar totalmente inócua.

Ministro Kassab está enrolado. Foto: Agência Brasil.

Liderada por Thiago Peixoto (PSD-GO), a nova frente conta com bastante apoio do setor de TI. Uma nova da organização falava no apoio de Facebook, Google, Apple, IBM, Microsoft, Uber, 99, Airbnb, Spotify, Totvs, Netflix e Abes.

O ministro de ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, líder do PSD de Peixoto, também participou do lançamento.

Uma das metas iniciais da frente é evitar uma regulamentação de serviços como o Uber que inviabilize o negócio desse tipo de empresas no país.

As frentes parlamentares são um instrumento de utilidade discutível, na melhor das hipóteses, servindo muitas vezes apenas para os deputados marcarem posição sobre temas frente a eleitorados específicos. 

O artigo da Wikipedia sobre o tema cita como exemplo um deputado participante de 30 diferentes.

A efetividade de uma frente do tipo depende dos nomes envolvidos, do poder de lobby do setor por trás e da receptividade do ambiente político para o tipo de propostas que a frente pode querer levar adiante.

"Hoje, vivemos no mundo digital. Essa frente parlamentar chega no momento exato em que o poder executivo precisa dessa parceria com o Legislativo. Temos extraordinários projetos pela frente", apontou Kassab. 

Infelizmente para o setor de tecnologia do país, o cenário não parece nada bom.

Horas depois do lançamento da frente e das previsões otimistas de Kassab, Brasília implodiu com denúncias contra o presidente Michel Temer, cujo governo para muitos analistas já está terminado.

O nome do ministro Kassab, inclusive, aparece na mesma delação da JBS, como receptor de uma "mesada" do frigorífico que já teria totalizado R$ 14 milhões.

Provavelmente, a repercussão das últimas denúncias consumirá o resto do ano, com 2018 já sendo um ano eleitoral. Pode ser que até lá ninguém mais lembre que um dia existiu uma Frente Parlamentar Mista de Economia Digital.

Maurício Renner