A falta de espaço já faz as empresas alugarem áreas de estacionamento. Foto: Pexels.

Cerca de 160 mil motoristas de aplicativos devolveram os carros alugados por causa do baixo movimento após a crise do coronavírus.

Segundo o Estadão, o número representa uma taxa de devolução de 80%, pois havia 200 mil carros alugados só para este setor.

A falta de espaço já faz as empresas alugarem áreas de estacionamento e, para frear devoluções, o preço da locação foi reduzido à metade.

Para quem insiste na entrega do carro, são oferecidas tarifas de R$ 10 por semana para mantê-lo, ainda que parado.

"É como se a empresa alugasse minha garagem e eu ainda tenho de pagar", disse Daniel Marcílio, motorista da Uber, ao Estadão.

Desde outubro, ele aluga um modelo Fiat Argo da Localiza por R$ 494 semanais. O preço caiu para R$ 247. Ainda assim, Marcílio quis devolver o carro, pois estava fazendo uma média cinco corridas por semana. Antes da crise, eram dez por dia. 

Ao tentar a devolução, recebeu a proposta de R$ 10, então decidiu esperar mais um pouco. 

A Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), confirmou que os pátios estão lotados e muitas empresas tiveram de alugar pavilhões e fazer acordos com estacionamentos e supermercados que estão com áreas ociosas para guardar parte das frotas. O setor abriga cerca de 10 mil empresas, com 75 mil funcionários.

"Temos frota de 997 mil veículos que normalmente estão em circulação, e ninguém estava estruturado para essa situação inusitada", contou Paulo Miguel Junior, presidente do conselho da Abla, ao Estadão.

Ainda de acordo com a publicação, a locação diária para consumidores comuns caiu 90%. Para frotas terceirizadas, a queda foi de 20%. 

Segundo a Abla, cada empresa passou a adotar estratégias de acordo com seu fluxo de caixa, mas, mesmo com promoções, como a de tarifas de R$ 15 a R$ 50 para locação diária, o movimento segue fraco.

A Localiza, maior locadora do país, com frota de 323,3 mil carros, divulgou lucro de R$ 230,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, 9,5% superior ao mesmo período de 2019. Mas a empresa admite que abril já foi fortemente impactado pelos efeitos da pandemia. 

Sua frota média alugada no mês passado teve redução de 33% em relação à média do primeiro trimestre, caindo para 105,2 mil veículos. 

O setor saltou de um faturamento de R$ 13,8 bilhões em 2016 para R$ 21,8 bilhões no ano passado.