Matthias Gösch. Foto: Baguete.

A empresa alemã InternetX começou sua operação no Brasil com a venda exclusiva de domínios .ltda. Somente empresas registradas como Sociedade Limitada (ltda) podem criar sites com a nova extensão.

Já foram vendidos 250 domínios .ltda. A expectativa é atingir 5 mil sites até o final do ano.

O universo de possíveis clientes abrange as 5 milhões de empresas registradas no país como sociedade limitada. 

A companhia também está de olho no mercado latino americano, onde alguns outros países usam a sigla .ltda, totalizando mais 1 milhão de clientes potenciais.

Mesmo assim, as possibilidades de vendas ultrapassam esses número, pois a empresa trabalha com dois tipos de registros: o nominal e o de áreas de atuação.

Uma empresa pode registrar, além do “nomedampresa.ltda”, endereços como madeireira.ltda, cabeleireiro.ltda, entre outros. Segundo a InterntX, essa estratégia pode trazer vantagens em relação ao sistemas de busca.

“A extensão .ltda promove mais segurança e credibilidade às empresas, além de reforçar sua presença online e melhorar sua posição no Google, que é fundamental”, afirma Matthias Gösch, CEO da Domain Robot, subsidiária brasileira da InternetX.

Gösch, alemão que vive no Brasil há três anos, é o responsável pela operação local da companhia, mas terá apoio técnico e comercial da matriz, na Alemanha. 

A InternetX está aproveitando uma possibilidade de negócio gerada pela decisão do ICANN em 2011 de ampliar o número de domínios, uma vez que as extensões convencionais, como “.com”, “.org” e “.net” estão praticamente estagnadas.

Nos últimos anos, foram criadas 1,3 mil novas possibilidades. Os pedidos de novos nomínios são feitos por empresas e organizações e julgados pelo ICANN. Em alguns casos, a decisão é fácil: o domínio .walmart, por exemplo, foi pedido pela Walmart.

Mas há uma série de casos menos óbvios. Apenas o Google solicitou 101 novas extensões, incluindo termos como “.you”, “.free” e “.play”, além de outras terminações inusitadas como “.lol”, ou “.fyi”.

Quando mais de uma empresa pede um domínio cuja atribuição não é baseada em direito autoral, o ICANN promove um leilão. 

A InternetX, por meio da sua subsidiária mySRL GmbH venceu o Google em março na disputa pelo domínio .LCC (o .ltda espanhol) oferecendo US$ 400 mil, segundo divulgado por sites especializados no mercado de domínios. O .ltda, aparentemente, foi concedido sem disputa (só fazer o pedido custa US$ 185 mil).

“Os novos domínios podem reorganizar a internet. Extensões como .info e .edu passaram por esse processo e são vistas de forma comum pelos usuários”, relata Gösch.

A InternetX conta com recursos para proteger as marcas. Caso um concorrente, também classificado como sociedade limitada, compre o registro da marca rival para direcionar para a sua companhia, a empresa que tem a razão social utilizada pode contestar e ganhar o endereço.

Pelo site www.minha.ltda é possível verificar os domínios disponíveis. Quando um endereço está livre para a compra, o portal oferece as opções de provedores que podem comercializar o site - como GoDaddy e Secnet.

Por enquanto, nenhum provedor brasileiro pode fazer a venda dessas extensões. Para fazer o processo, o prevedor precisa ser acreditado na ICANN, o que não é o caso de nenhum brasileiro atualmente.

“Vamos nos reunir com empresas como UOL e Locaweb para apresentar o novo domínio e tentar colaborar com o processo relacionado a ICANN”, relata Urs Eroes, consultor jurídico do time de Domain Registry Services da InterNetX

O problema não é tão grande assim, uma vez que a GoDaddy já tem uma operação local e está fazendo uma ofensiva no mercado brasileiro, oferecendo preços abaixo da concorrência.

A InterNetX GmbH é uma provedora de serviços de internet alemã que gerencia quase quatro milhões de domínios em todo o mundo e conta com mais de dois mil servidores hospedados (hosted servers) para uma rede de 25 mil parceiros globalmente. 

Considerando os novos domínios - que fogem aos tradicionais .com - a empresa conta com cerca de 10% do market share global.

* Júlia Merker viajou a São Paulo a convite da InternetX.