Ideval Munhoz, o novo managing director da T-Systems do Brasil.

A T-Systems dobrará de tamanho em Blumenau nos próximos dois anos, quando pretende passar dos 500 funcionários no centro instalado no local.

A cidade catarinense será uma das principais beneficiadas da política de expansão dos negócios no Brasil, onde a multinacional alemã pretende saltar de 2 mil para 2,6 mil colaboradores.

As metas foram anunciadas por Ideval Munhoz, ex-country manager da HCL para o Brasil e América Latina, recentemente contratado para ser o novo managing director da T-Systems do Brasil.

Munhoz, que nos últimos seis anos foi responsável pelo início das operações das indianas HCL e Satyam no Brasil, parece ser uma aposta da T-Systems para fazer deslanchar sua presença no país, hoje ainda muito atrelada a contratos com gigantes do setor automotivo como Volkswagen e Mercedes-Benz.

“Minha experiência com startup de negócios e construção de novas carteiras será útil, sem dúvida”, comenta Munhoz.

Com 11 sites em 8 cidades brasileiras, incluindo, além de Blumenau, Curitiba e São José dos Pinhais na região Sul, a T-Systems é uma empresa grande no país, mas vem patinando nos últimos anos.

A receita em 2010 teve uma redução de 1,2% frente aos resultados do ano anterior, fechando em R$ 336 milhões. Em agosto de 2011, a empresa fechou seu escritório em Porto Alegre, através do qual atendia a ADP Brasil, depois da gigante de processamento de folha decidir internalizar a TI.

Em entrevista concedida durante a Cebit à Information Week, o suíço Dominik Yves Maurer, então responsável pela operação brasileira, revelou que a receita em 2011 foi de R$ 360 milhões, com meta de chegar a R$ 1 bilhão até 2016.

Munhoz afirma que a empresa não vai mais abrir números da subsidiária brasileira e que sua meta para 2012 é 15%, um ritmo um pouco abaixo do que o indicado por Maurer. Uma média de 15% resultaria em R$ 724 milhões em 2016.

Para crescer no Brasil, a empresa aposta em oportunidades como a privatização dos aeroportos, cloud computing e o crescimento do uso de RFID no país. A T-Systems hoje gerencia 78 aeroportos em todo mundo, incluindo o de Frankfurt, considerado o mais movimentado da Europa.

Na área de identificação por radiofrequência, a empresa já tem uma solução desenvolvida, atualmente em fase de testes em uma companhia aérea brasileira. O varejo é outro alvo potencial.

Já na oferta de computação em nuvem, a empresa dispõe do data center tier III em Tamboré, em São Paulo, construído com investimentos de R$ 50 milhões.

Em nível mundial, a receita da T-Systems foi de cerca de € 9 bilhões em 2011, aproximadamente  R$ 22,5 bilhões de reais.

BLUMENAU
A operação de Blumenau foi inaugurada em 2006, com uma equipe de 20 pessoas. Inicialmente, a operação era focado no atendimento de clientes na Alemanha, tirando proveito do número de profissionais com conhecimento do idioma na cidade, de forte colonização alemã.

Hoje, o centro emprega 240 pessoas, 70% das quais estão focadas no atendimento de contas locais. Contratos fechados recentemente incluem HansaFlex, para implementação de um ERP da SAP – a T-Systems é uma das principais parceiras da empresa – e com Malwee para desenvolvimento Java e .Net.

Desde o início da operação na cidade catarinense, a empresa vem participando de programas de formação, nos quais afirma que contratou certa da metade dos seus colaboradores atuais.

* Maurício Renner viajou a Blumenau a convite da T-Systems.