IBM lança novos mainframes. Foto: divulgação.

Mesmo em momentos de reformulação e novos caminhos, é difícil abandonar as raízes. Um exemplo disso é o da IBM, que ainda acredita no tradicional mainframe e anunciou nesta segunda-feira, 17, o lançamento do LinuxONE, nova linha de mainframes baseada em código aberto.

Os servidores incluem os modelos LinuxONE Emperor para empresas de grande porte e o Rockhopper para médio porte. Baseada na linha z13, última de mainframes desenvolvida pela Big Blue, a LinuxONE é capaz de provisionar até 8 mil máquinas virtuais, trabalhando com tecnologias abertas como Apache Spark, Maria, Posture e Chef.

A IBM também anunciou uma parceria com a britânica Canonical para distribuir o software Ubuntu nas linhas LinuxONE and z.

Além dos novos produtos, a companhia anunciou outra iniciativa para dar novo fôlego a seus negócios de mainframe, chamada "Open Mainframe Project", em que a Big Blue fornecerá códigos de seus softwares para mainframe, encorajando a comunidade open source a desenvolver aplicações para o hardware.

"No geral, a IBM está tentando fazer o mainframe um computador mais relevante para uma variedade ampla de negócios, colocando ele no centro de tendências como Big Data e computação móvel", afirmou a analista Julie Bort para o Business Insider.

A aposta da Big Blue nos mainframes parece anacrônica em uma época em que sistemas descentralizados e cloud estão em voga. Para muitos, a tecnologia que fez a fama e fortuna da IBM há cerca de 30 décadas está praticamente morta.

Entretanto, setores tradicionais ainda confiam nas caixas gigantes para gerir grandes números de transações - como é o caso de operadoras de cartões de crédito, prestadoras de serviços de pagamentos de funcionários como a ADP, ou rastreamento de pacotes em empresas globais como a UPS.

Ainda assim, é curioso ver a IBM depositando sua confiança em uma tecnologia defasada, ainda mais levando em conta o recente movimento da multinacional em limar divisões pouco lucrativas, como foi o caso da parte de PCs, vendida em 2005 para a Lenovo, ou a parte de servidores, vendida no ano passado para a mesma empresa.

A parte de hardware da IBM - onde os produtos de mainframe estão incluídos - faturaram um total de US$ 2,1 bilhão no último trimestre, uma parcela de 10% dentro do faturamento de US$ 20,8 bilhôes da companhia.

Mesmo representando pouco dentro do quadro geral, a parte de mainframe registrou um crescimento de 9% no último trimestre, devido ao lançamento do z13.

Para analistas, a IBM chegou à realização que está cada vez mais difícil vender hardware tradicional, focando em plataformas avançadas de dados e analytics, como o caso do Watson para computação cogitiva.

Por outro lado, a empresa ainda crê que, no caso de aplicações de alto nível transacional, o mainframe ainda pode funcionar como um poderoso e confiável motor para os negócios em suas diferentes esferas - sejam móveis ou on-premise.

"Por mais leves e ágeis que estajam as novas tecnologias em seu bolso, elas ainda podem fazer bom uso de uma grande e poderosa máquina processando quantidades gigantes de dados, guardados seguramente em uma sala", finalizou o analista da revista Wired, Davey Alba.