Educação não dá retorno no Brasil, mas há como mudar, diz MIT. Foto: Flickr.com/agecombahia

Os investimentos em educação trazem baixo retorno financeiro na América Latina.

É a conclusão de Ben Ross Schneider, diretor do Programa MIT-Brasil, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que participou do 9º Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), realizado em São Paulo.

Na palestra, coberta pelo Valor Econômico, ele revela sua avaliação sobre alguns dos porquês da baixa qualificação da mão de obra na região.

Conforme Scheider, na América Latina o retorno de investimento para cada ano de educação por profissional não chega a 7%, ao passo que nos países desenvolvidos este índice é superior a 12%.

No Chile, segundo o analista, 40% dos profissionais não ganham o suficiente para compensar o investimento feito na universidade.

INICIATIVA PRÓPRIA
O diretor do MIT ponderou que, apesar de na América Latina as poucas garantias de retorno sobre investimentos em educação não incentivarem os empregadores a destinarem recursos para a formação de profissionais, a demanda por funcionários mais capacitados acabará sendo motivo para que eles mesmos busquem se qualificar.

Para o Brasil, ele prevê como solução um “pacto desenvolvimentista”, incluindo esforços do governo para gerar oferta de trabalhadores por meio da educação; das empresas, para promoverem a demanda ao contratar profissionais, e do mercado de trabalho.

LUZ NO TÚNEL
Ainda de acordo com Schneider, alguns projetos nacionais já dão mostras de um esforço válido para mudar o atual quadro da educação profissional, como os encabeçados pelo Senai.

Entretanto, tais iniciativas ainda não são suficientes para promover o que o diretor do MIT define como “um salto educacional".

PROFESSOR BEM PAGO
A avaliação de Schneider vai na linha das afirmações feitas por Gustavo Ioschpe, colunista da revista Veja, em palestra no mês passado na Fiesc, em Florianópolis.

Conforme o colunista, ao contrário da crítica comum da classe, os professores não ganham mal no Brasil, se comparado a países com melhores taxas de qualidade da educação.

Ioschpe argumenta, ainda, que aumentar os pagamentos ou percentual do PIB destinado ao setor não é a solução para garantir a melhoria.

O colunista, que é consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), afirma que o Brasil gasta mais do que entrega, no quesito educação.

“O Brasil tem um dos piores sistemas educacionais do mundo e que, ao mesmo tempo, consome muito. Gasta muito e entrega muito pouco. E os salários dos professores não podem ser considerados baixos, comparado com o de outros países", disparou.