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Serpro faz mais um PDV

18/10/2021 04:51

Estatal de TI está mudando o perfil do seu quadro e da sua atuação nos últimos anos.

Estatal está mudando o perfil dos seus funcionários. Foto: Divulgação.

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O Serpro, uma das maiores estatais de tecnologia do país, vai fazer um novo plano de demissões voluntárias. 

O PDV tem condições similares ao já anunciado em 2020, com a meta de que as demissões aconteçam ainda em novembro e dezembro de 2021. 

Os candidatos precisam ter 55 anos e no mínimo 10 anos de Serpro. As indenizações são de 12 salários, ficando entre no mínimo de R$ 70 mil e no máximo de R$ 320 mil, pagos em uma parcela só.

Assim como em 2020, o Serpro não divulgou quais são as suas metas com o PDV. No último, sindicalistas vazaram a informação de que a estatal queria cortar 30% do quadro, algo como 3 mil empregados.

De acordo com a Serpro, o PDV visa “normatizar o fluxo de saída de empregados, para redimensionamento do quadro de pessoal e readequação da estrutura funcional da empresa”. 

O que isso quer dizer na prática dá para notar em uma condição do PDV e alguns movimentos recentes da estatal.

A condição do PDV é que não podem participar funcionários que ocupem o cargo de analista com especialização em desenvolvimento de sistemas ou técnico com qualificação em programação de computador.

O movimento recente foi o anúncio em abril de um concurso para contratar 165 funcionários temporários, a grande maioria deles (147) para o cargo de analista de desenvolvimento e restante analistas com especialização em Ciência de Dados, pagando um salário de R$ 7.620,37 mais benefícios.

Já no final de 2019, o Serpro começou a cadastrar fornecedores para desenvolvimento de software em uma ampla gama de tecnologias, preparando o que parece ser um movimento de terceirização.

Em nota, a estatal federal de tecnologia explicou que a ideia é subcontratar a parte "braçal” do desenvolvimento para “ganhar fôlego na realização da transformação digital do governo brasileiro”.

Fundada em 1964, o Serpro é talvez a estatal da área de tecnologia mais antiga do país.

Por muitos anos, a atuação esteve estreitamente vinculada ao desenvolvimento de sistemas para a Receita Federal e o Ministério do Planejamento.

É um tipo de atuação que demanda um tipo de quadro de funcionários, que, como acontece em outras estatais de tecnologia, tende a se perpetuar e ter menos incentivos para trocar de emprego com o passar dos anos.

Nos últimos anos, o Serpro vem se reposicionando como um intermediário de contratação de computação em nuvem de grandes players como AWS e Huawei para a administração pública em todo o país, ao mesmo tempo em que ensaia também uma entrada na iniciativa privada.

Os PDVs, as contratações temporárias e a terceirização mostram como o Serpro está colocando isso em prática em termos de pessoal.

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