Brin Chateado. Foto: divulgação.

Visto como um dos principais artigos tecnológicos para o futuro, o badalado Google Glass não tem mais o gás que tinha. E isso não parte apenas do mercado. Parece que o próprio Google está perdendo sua fé no wearable.

Segundo destaca a Reuters, um indicativo vem de ninguém menos que Sergey Brin, co-fundador do Google e mente por trás do projeto Glass. Desde 2012, Brin comparecia a eventos públicos usando o óculos. Entretanto, estão cada vez mais comuns as aparições de Brin sem o dispositivo, algo curioso levando em consideração que o Glass chegou a ser promovido como uma espécie de novo smartphone - um aparelho que seria tão essencial quanto uma roupa.

Entretanto, à parte de análises subjetivas, o Google Glass também vem esfriando em outras frentes, segundo destaca a agência de notícias. Desenvolvedores para o wearable estariam perdendo o interesse na produção de apps.

De dezesseis software houses que desenvolviam aplicações para o Glass, nove delas afirmaram que interromperam ou abandoram seus projetos para o produto, devido à falta de público consumidor ou restrições do aparelho. Fundos de investimentos voltados à desenvolvedoras para o Glass também saíram de cena discretamente.

Com isso, um dos fenômenos apontados pelos analistas é a queda de diversas startups que se formaram de olho do sucesso do Google Glass, e que agora lutam para se segurar.

"Foi devastador. Todas as startups voltadas ao Glass estão completamente mortas ou tiveram que redirecionar seus negócios para outras plataformas ou wearables", destacou Alex Foster, fundador da See Through, empresa de analytics para o Glass.

Entre os nomes de peso que apoiam o Glass, um deles saiu da lista de apps do óculos: o Twitter. Mesmo assim, a lista de aplicações, entre lançadas ou que estão por vir, segue com cerca de cem nomes.

"Se tivessem sido vendidos 200 milhões de Google Glass, seria um cenário diferente. Não há mercado no momento", afirmou Tom Frencel, CEO da Little Guy Games, que suspendeu o desenvolvimento de um game para o Glass, passando a focar em outras plataformas como o Oculus Rift, adquirido recentemente pelo Facebook.

Um dos motivos para a debandada dos desenvolvedores é o ainda salgado preço do wearable, cuja versão Explorer (a única disponível atualmente) sai por US$ 1,5 mil. É um produto caro para testes, ainda mais considerando que o Google segue adiando o lançamento do Glass para o público geral - e por um preço mais camarada.

No Brasil, empresas como Totvs, Mega Sistemas e Tecnisa se aproximaram do wearable. A Tecnisa usou o óculos como uma ferramenta de marketing, em uma estratégia de venda usando realidade aumentada.

A Mega Sistemas, por sua vez, desenvolveu em parceria com a GeoMob uma aplicação para a visualização dos dados de seus sistema de gestão usando o óculos de realidade aumentada do Google.

Por fim, a Totvs criou em seu centro de inovação instalado em Mountain View, no Vale do Silício, uma aplicação leva ao Glass funcionalidades e informações sobre pessoas e empresas disponíveis no Fluig, plataforma de colaboração e workflow da empresa.

CONSUMIDOR

Para analistas, embora o uso do Google Glass já foi provado útil em diversas áreas (medicina, por exemplo), os prospectos do wearable se tornar um hit entre os consumidores finais estão diminuindo a cada dia.

Do lado do Google, a esperança segue, e a empresa segue comprometida a levar o Glass para o consumidor geral. Entretanto, a empresa frisa que não levará ele ao mercado até o que o gadget esteja totalmente pronto.

O problema é que esse lançamento está demorando, mesmo depois de lançar o Glass em caráter limitado no início de 2013. A promessa de Brin era que no início de 2014 ele chegasse às lojas. Agora a data de lançamento foi empurrada para 2015, sem maiores detalhes.

Outro indicativo é mais preocupante ainda para o Google. Para alguns consumidores, o que até um ano atrás parecia algo moderno, já está se transformando em um objeto ultrapassado e até mesmo "brega". Atualmente, diversos usuários iniciais do Glass já estão com seus óculos à venda no eBay por menos da metade do preço oficial do produto.