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FINTECH

Biva quer emplacar empréstimos P2P

Leandro Souza
// sexta, 18/12/2015 17:02

O mercado das fintechs, empresas de tecnologia voltadas ao segmento financeiro, lentamente se aquece no Brasil e novas empresas se apresentam. A Biva é uma delas e tem o plano ambicioso de conquistar o setor com o modelo de empréstimos no formato peer-to-peer (P2P).

Paulo David. Foto: divulgação.

No modelo da Biva, a tecnologia criada pela companhia permite a conexão entre pessoas com vontade de investir e ter retornos maiores que modelos tradicionais de capitalização e empreendedores que necessitam de crédito a taxas menores que as oferecidas em bancos.

A empresa desenvolveu uma plataforma em que investidores podem escolher em quais empresas e projetos querem colocar seu dinheiro, assim como as taxas de juro oferecidas.

Já quem busca investimento faz o pedido, que é analisado por um sistema de análise de crédito desenvolvido pela própria Biva, capaz de mensurar os ganhos e os possíveis riscos. Caso a solicitação seja aprovada, em cerca de quinze dias o dinheiro (que pode ir de R$ 10 mil a R$ 50 mil), é liberado e a Biva assume a intermediação do processo, faturando uma comissão em cima disso.

Atualmente a plataforma conta com 800 investidores ativos e cerca de 2 mil cadastrados. O número ainda baixo se dá porque a empresa passou 2014 afinando seu modelo de negócios. Para 2016, o plano é acelerar.

Segundo Gustavo Stramon, diretor de marketing da Biva, a empresa alia sistemas tradicionais de consulta de crédito a outros dados não-estruturados, assim como um histórico de qualificação interna feito dentro da plataforma.

"Desenvolvemos um score próprio que aglutina e processa mais informações que uma financeira tradicional faz. À medida que a plataforma se popularizar, as próprias qualificações de investidores ou o grau de assertividade dos empresários interessados em receber aportes vão ficar mais avançadas e confiáveis", explica Stramon.

Para o executivo, a facilidade no processo de solicitação de valores não implica necessariamente que todos recebem. A Biva assume parte dos riscos junto com a pessoa que empresta o dinheiro, o que acarreta responsabilidades junto à parte tomadora do empréstimo.

"A opção pelo modelo de empréstimo de pessoa física para jurídica e não de física para física foi também uma forma de evitar maiores riscos", explica Stramon.

O retorno oferecido não deixa de ser interessante: após seis meses de investimento na Biva, o investidor tem um retorno 42,47% maior do que teria aplicando o mesmo valor em CDB. Em 12 meses, essa diferença salta para 44,46%, e, em 24 meses, para 48,70%.

Segundo o executivo, no segundo semestre de 2015 cerca de R$ 20 milhões foram solicitados na plataforma, mas apenas R$ 2 milhões foram efetivamente liberados para as empresas interessadas.

A meta da companhia para 2016 é escalar exponencialmente essa marca, chegando a um volume de R$ 1 bilhão em solicitações e de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões em crédito concedido aos clientes.

Segundo Paulo David, co-fundador e membro do conselho da Biva, o interesse da empresa não é de competir com bancos e sim operar em uma esfera onde estas instituições financeiras pouco operam.

De acordo com David, pequenos empresários tem muita dificuldade em conseguir valores menores junto aos bancos, já que para as instituições financeiras essas operações geram mais custo que retorno.

"Nosso modelo chega para atender uma demanda reprimida no mercado brasileiro. Mantemos um contato próximo com bancos e o Banco Central para demonstrar que queremos complementar o mercado e não ameaçar", destaca o executivo.

Apesar da confiança da Biva, o modelo de empréstimos B2B já deu com a cara no muro - leia-se a legislação financeira local - em uma outra ocasião que tentou chegar no país.

Em 2010, o Brasil chegou a ter uma experiência do tipo com o Fairplace, site que promovia empréstimos entre pessoas físicas e chegou a movimentar R$ 1,8 milhão, oferecidos a taxas de 3,45%, média bem inferior à dos bancos para quem tomava os empréstimos e rendimentos também acima do mercado para quem emprestava. Entretanto, o site foi investigado e fechado pela Receita Federal por não operar dentro da conformidade com o Banco Central.

Apesar do passado desanimador, parece que o momento é outro. Empresas como Enova e Lendico, que tem operações de P2P lending em outros países, anunciaram esse ano a sua chegada ao país, iniciando com operações tímidas e ligadas a bancos locais.

A Biva, por sua vez, conta com o aporte de fundos conhecidos como o Kaszek Ventures e Vox Capital para crescer no país.

Leandro Souza