PLANOS

Tecnosinos projeta expansão

18/12/2019 16:01

Parque está de olho em área do governo do estado no qual hoje fica um horto florestal.

Susana Kakuta, CEO do Tecnosinos.

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O Tecnosinos, parque tecnológico da Unisinos, localizado em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, reativou a mobilização para expandir sua área dentro do Horto Florestal, uma área adjacente ao parque pertencente ao governo do estado.

A meta da universidade é ampliar o parque tecnológico em uma área de 46 hectares, cerca de um quinto do total do horto florestal, uma área verde de 600 hectares que se espalha entre São Leopoldo e o município vizinho de Sapucaia do Sul.

A expansão foi tema de uma audiência pública convocada na semana passada pela Frente Parlamentar pela Ampliação do Tecnosinos, integrada por vereadores da cidade.

"O Tecnosinos está com uma restrição de espaço, que hoje é basicamente vertical. Não temos espaço para empresas com máquinas de grande porte”, resumiu o CEO do Tecnosinos, Susana Kakuta.

Uma ampliação como a projetada seria um grande passo para o Tecnosinos, que hoje fica em uma área de 3,5 hectare e tem a maioria das suas quase 100 empresas instaladas em três edifícios.

A única operação nos moldes de máquinas de grande porte descrito por Kakuta é a HT Micron, holding coreano-brasileira de fabricação de chips inaugurada em 2014. 

Mesmo para companhias do porte do SAP Labs, centro de desenvolvimento e suporte da SAP com cerca de 1 mil funcionários e uma das maiores empresas do parque, já não há espaço suficiente.

A construção na área do horto, no entanto, não é tão simples. Uma prova é que o Tecnosinos já fez uma movimentação nesse sentido que não foi para frente em 2011, ainda no primeiro ano do governo Tarso Genro (PT-RS).

Algumas coisas mudaram no meio tempo. Na época, a área do horto estava sob o controle da Fundação Zoobotânica, um órgão ligado à secretaria de Meio Ambiente responsável por administrar o Jardim Botânico da capital gaúcha ou o parque zoológico de Sapucaia do Sul.

A Fundação Zoobotânica foi extinta ainda em 2016, como parte das medidas de corte de custos do então governador José Ivo Sartori (PMDB). O assunto foi parar na justiça, onde uma decisão recente deu autorização para a extinção.

As responsabilidades da Fundação Zoobotânica agora são parte das atribuições da  secretaria estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que talvez demonstre menos apego pelo horto florestal.

O horto é na verdade uma antiga plantação de eucaliptos destinados a serem usados como dormentes nas linhas de trem da Viação Férrea do Rio Grande do Sul, já extinta, e hoje uma área que sofre com invasões e deterioração da mata.

O Tecnosinos teve uma reunião sobre o assunto já em janeiro na secretaria de Ambiente e em julho com o próprio governador do estado, Eduardo Leite (PSDB). 

A expectativa é por uma definição no início de 2020. Pelo visto, o Tecnosinos decidiu não ficar parado e fazer uma mobilização de relações públicas pela ampliação, da qual a audiência pública deve ser parte.

O Tecnosinos é hoje um dos parques tecnológicos destaque do país, com 6 mil funcionários e um faturamento de mais de R$ 2,5 bilhões. 

Pelos cálculos apresentados na audiência, uma ampliação tem potencial para atingir positivamente cidades situadas em um raio de 50 km, o que incluiría a capital, Porto Alegre, além de cidades com grande população como Novo Hamburgo e Canoas.

O projeto de uso para a área tem considerações ecológicas, que, aliás, já estão presentes no Tecnosinos hoje. 

O parque se denomina um Green Tech Park, com exigências de requisitos ambientais e um programa de desenvolvimento nesse sentido. O campus da universidade, que tem 90 hectares, também conserva diversas áreas verdes.

O principal nó é como estabelecer uma contrapartida da Unisinos pelo uso da área. 

Na audiência, uma das propostas foi a criação de um fundo à disposição do estado para investimentos, algo que deve agradar em um momento de crise fiscal.

Outro fator que pode contar pontos para o Tecnosinos nessa nova tentativa de emplacar a expansão no horto florestal é a CEO do parque, Susana Kakuta.

Kakuta já participou das conversas nesse sentido em 2011, então em um outro cargo na Unisinos relacionado ao parque tecnológico, que tinha outra governança na época.

Ela saiu em 2015, para presidir o Badesul, banco de fomento do estado do Rio Grande do Sul. 

Nos meses finais do governo Sartori, Kakuta chegou a acumular as secretarias de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e a de Minas e Energia, período durante o qual pode ter melhorado seus contatos na máquina administrativa do estado.

Na sua primeira passagem pelo Tecnosinos, entre 2009 e 2015, o parque tecnológico passou por modificações profundas de governança e deu um salto de qualidade, atraindo grandes investimentos da SAP e HT Micron.

Nos últimos tempos, a Unisinos tem investido pesado na ampliação em Porto Alegre, cidade na qual inclusive participa de uma festejada aliança pela inovação com a UFRGS e PUC-RS, o que dá mais influência para a universidade sediada em São Leopoldo.

O destravamento da ampliação ao lado da sede original da universidade seria uma vitória jogando dentro de casa. 

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