Sergio Furio, fundador da Creditas. Foto: divulgação.

A Creditas, plataforma online de crédito com garantia, acaba de receber um aporte de US$ 255 milhões em rodada série E, na qual o valor da empresa foi estimado em US$ 1,75 bilhão, tornando-a o 11º unicórnio brasileiro.

A rodada foi liderada pelo LGT Lightstone, fundo de investimento de impacto focado em empresas de alto crescimento, que passa a ocupar um assento no conselho.

Além da companhia, participaram outros novos sócios internacionais, como Tarsadia Capital, Wellington Management, e.ventures e Advent International, através da sua afiliada Sunley House Capital.

Os acionistas atuais também participaram do investimento. Entre eles, estão SoftBank Vision Fund 1, SoftBank Latin America Fund, VEF, Kaszek Ventures e Amadeus Capital Partners.

Fundada em 2012 pelo espanhol Sergio Furio, a Creditas começou em um escritório de cinco metros quadrados e criou um marketplace que permitia aos bancos a entrega de um crédito com garantia no ambiente digital.

A partir de 2016, a companhia lançou seus próprios produtos de home equity e auto equity, migrando de uma estratégia de canal para uma estratégia de produto. 

Em 2019, expandiu sua plataforma de crédito e fintech, criou uma vertical de soluções para os clientes e apostou na internacionalização para o México.

Hoje, a Creditas é uma plataforma digital que opera em múltiplas verticais: home equity, auto equity, auto fin, crédito consignado, antecipação de salário, cartão de benefícios, previdência privada, creditas store, home solutions e auto solutions.

Com a chegada da pandemia, a empresa decidiu priorizar a sustentabilidade e gerar fluxo de caixa positivo no segundo trimestre. 

Ao final de Julho, retornou ao plano de crescimento pré-covid e acabou fechando o terceiro trimestre no mesmo nível do início do ano. O mês de setembro foi o melhor da companhia, com receita de R$ 30,4 milhões.

De acordo com o site NeoFeed a startup atingiu um portfólio de crédito superior a R$ 1 bilhão nos nove primeiros meses de 2020, emprestou R$ 591,2 milhões e obteve uma receita de R$ 232,1 milhões, um crescimento de 107%, na comparação com o mesmo período do ano passado.

No total, a Creditas já captou US$ 570 milhões em cinco rodadas de financiamento. 

O atual aporte representa uma valorização de 133% em comparação à série D, realizada em julho de 2019. Desde então, a empresa experimenta crescimento de receita de mais de três vezes.

“Temos acompanhado a Creditas há bastante tempo e entendemos que a empresa tem a combinação perfeita de um time de altíssima capacidade de entrega e um mercado endereçável enorme e que é mal atendido pelas instituições financeiras”, destaca Marcos Wilson Pereira, managing partner de LGT Lightstone no Brasil.

Com o novo capital, o objetivo da companhia é acelerar o crescimento nos próximos dois anos e continuar o processo iniciado em 2019 para consolidar suas três linhas de atuação: fintech, consumer solutions e internacionalização.

A empresa pretende lançar novos produtos, investir na operação do México e fazer aquisições – algumas, inclusive, estariam engatilhadas e devem ser anunciadas em breve. 

Questionado pelo NeoFeed sobre o que o título de unicórnio significa para a Creditas, o fundador da companhia respondeu: “Nada. Não gosto do termo pela conotação. Tem muito oba-oba. Amanhã, vou acordar e fazer o mesmo: não sou mais rico, nem mais pobre do que antes”.

De acordo com o Distrito, ecossistema independente de startups, os outros 10 unicórnios brasileiros são: 99, Nubank, iFood, Gympass, Loggi, QuintoAndar, Ebanx, Wildlife, Loft e VTEX.

O Distrito não considera como unicórnios as empresas PagSeguro, Arco Educação e Stone. Nestes casos, prefere a denominação IPOgrifos, para se referir às companhias de capital aberto que valem mais de US$ 1 bilhão.