Será a nuvem da Vivo um raio de sol para a Officer? Foto: Pixabay.

A Officer acaba de se tornar a primeira distribuidora de tecnologia no país a ser participante do programa Parceiro Soluções Digitais da Vivo Empresas, área voltada ao segmento B2B da Telefônica Brasil.

O novo modelo de vendas acaba de ser lançado pela Telefônica Brasil, que afirma que em nota divulgada à imprensa que o programa é voltado para empresas e profissionais liberais interessados em “aumentarem suas margens de receitas com indicações dos serviços oferecidos pela Vivo”.

A informação sobre a participação da Officer foi obtida pela reportagem do Baguete por meio de uma nota da distribuidora em dezembro.

A Officer não é mencionada na nota da Telefônica Brasil divulgada nesta semana, no entanto. 

Procurada pela reportagem do Baguete, a operadora confirmou a participação da Officer, mas disse não poder divulgar quem seriam os outros participantes inscritos no programa.

“Os parceiros são classificados em grupos de performance, que são definidos por algumas variáveis como volume de indicações, recorrência, qualidade, entre outras”, se limitou a comentar a operadora, por meio da sua assessoria de imprensa.

A descrição dada pela Telefônica Brasil dos potenciais interessados na sua iniciativa não é um match muito preciso para o tipo de empresa que a Officer é, uma intermediária entre os grandes players de tecnologia e organizações menores encarregadas de fazer a revenda na ponta (10 mil revendas ativas, no caso da Officer).

“A Vivo trabalha há anos com a cultura de programa de parceiros para o segmento de telecom. Este novo programa da oportunidade para que empresários do mercado de serviços digitais ampliem seu portfólio e liderem projetos com agilidade, flexibilidade e conectividade de alta performance”, afirma o diretor de Vendas de Soluções Digitais B2B da Vivo.

A posição da Telefônica Brasil de não dar maiores detalhes sobre o funcionamento do programa é típica do posicionamento dos players de telecomunicações, que nos últimos anos tem entrado no mercado de cloud computing tentando focar nas suas próprias marcas, assim como fazem na oferta pessoa física.

Ao longo dos anos, no entanto, a empresa foi dando pistas aqui e ali que contam a seguinte história.

Lançado em 2012, o Vivo Cloud Plus é baseado em tecnologia de multicloud da VMware e Huawei. No ano seguinte, a empresa investiu em um data center Tier 3 próprio em Santana do Parnaíba, em São Paulo. 

Em 2014, a operadora divulgou ter mais de 20 clientes (a maioria de grande porte) no Brasil, indicando uma dificuldade de atingir um mercado de massa que parece ser o alvo do novo programa de canais. Oi, TIM e Claro seguiram trajetórias similares.

Segundo um estudo com CIOs da Frost & Sullivan divulgado em 2014 (alguma água já passou por debaixo dessa ponte), as operadoras detinham a confiança de apenas 30% dos entrevistados. Um em cada cinco sustentou que não confiaria no serviço fornecido pelas telcos.

A liderança do ranking era das fornecedores do ramo especializado em datacenters são os preferidos. Eles aparecem citados por 70% dos entrevistados, sendo que apenas 3% responderam que não confiam nesse tipo de fornecedor.

Para a Officer, que já foi uma das maiores distribuidoras de tecnologia do país e passou por um período complicado nos últimos anos, o pioneirismo no acordo com a Vivo (supondo que ele se mantenha) é uma boa oportunidade.

De acordo com estudos do Gartner, os investimentos das empresas brasileiras em nuvem devem chegar a US$ 20 bilhões até 2020, quase cinco vezes mais do que os US$ 4,5 bilhões esperados para o ano passado.

“A Vivo é uma empresa conceituada e reconhecida no mercado por diversos fatores, como inovação e tecnologia dos produtos e, para nós, é importante ter marcas em nosso portfólio em que as revendas possam confiar, tanto pela qualidade quanto pelo suporte oferecidos”, afirma Luciano Kubrusly, CEO da Officer.

A Officer, que chegou a prever um faturamento de 1,8 bilhão para 2015, entrou em recuperação judicial naquele mesmo ano. Em 2016, a empresa aprovou um acordo com seus credores para a restruturação da sua dívida de aproximadamente R$ 300 milhões.

A meta de faturamento para 2016 estabelecida em R$ 200 milhões, uma sombra do passado. No final deste mesmo ano, a Officer foi adquirida pelo fundo Metta Participações. Kubrusly, que foi country manager da Apple no Brasil entre 1996 e 2000, assumiu o cargo logo depois.

De acordo com dados da Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abradisti), o segmento fechou o ano de 2015 com uma queda de faturamento de 8%. 

No ano anterior já havia acontecido uma queda de 5%. Desde então a Abradisti não voltou a publicar esses dados, no que pode ser interpretado como uma indicação de que não houve melhoria.