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Bill Gates, fundador e atual presidente do conselho da Microsoft, alfinetou a sua própria empresa, afirmando que o ritmo de inovação da companhia nos últimos anos foi abaixo do satisfatório, assim como o trabalho do CEO da companhia, Steve Ballmer.

Conforme reporta a Reuters, um dos focos da crítica de Gates, que falou à rede de TV CBS, foi a estratégia da companhia no segmento de aparelhos móveis, que falhou frente à concorrência do Android, do Google, e do iOS, da Apple.

"Não perdemos o barco quanto aos celulares, mas a forma pela qual atuamos nesse segmento não permitiu que conquistássemos a liderança. Foi claramente um erro", disse Gates em entrevista.

Entre outros projetos menos sucedidos da Microsoft está o sistema de buscas Bing, que teve a ingrata missão de atrapalhar o Google e não conseguiu.

Outros fracassos foram as últimas versões do sistema operacional Windows, como o Vista, 7 e o 8, que nem de longe lembraram o sucesso de plataformas como o Windows 98 e o XP.

Ao falar sobre o atual CEO da companhia, Gates foi evasivo, embora não escondeu o desapontamento com o trabalho realizado.

Para explicar, o executivo afirmou que nem ele, nem Ballmer estavam satisfeitos com a direção da companhia, que perdeu cerca de 45% de seu valor de mercado nos últimos dez anos.

"A liderança de Steve nos deu muitas realizações maravilhosas - o Windows 8, o computador Surface, o Bing, o Xbox. Isso é suficiente? Não. Ele e eu não estamos satisfeitos quanto a estarmos fazendo o máximo possível em termos de coisas realmente inovadoras", afirmou.

Gates completou dizendo que ele e Ballmer, que assumiu como presidente-executivo da Microsoft em 2000, são duas das pessoas mais autocríticas que existem.

A presença turrona do CEO no comando da gigante de Redmond acumulou diversos adversários nos últimos anos, entre investidores e ex-funcionários da empresa.

Joachim Kempin, antigo executivo sênior da Microsoft, afirmou em um livro que Ballmer não é o líder certo para a empresa. Segundo o ex-funcionário, o atual presidente impôs seu domínio forçando a saída de qualquer executivo em ascensão que desafiasse sua autoridade.