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A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) é a que mais lucra dentre as entidades responsáveis pelo esporte nos estados brasileiros. Os dados foram divulgados pela Pluri Consultoria em um relatório sobre o faturamento e as dívidas da CBF e de 21 das 27 Federações de Futebol.

A consultoria de Curitiba aponta que números são baseados nos balanços de 2011 – conforme lei, as representações estaduais devem divulgar seus documentos financeiros nos sites oficiais. No entanto, o estudo destaca que apesar da determinação legal não foi possível encontrar todos os balanços.

A Federação Gaúcha aparece atrás apenas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na lista das cinco maiores por lucro, com mais de R$ 3,2 milhões (4,1% do total). A entidade máxima arrecadou R$ 73,6 milhões, e na sequência figuram Paraná (R$ 1,4 mi), Pernambuco (R$ 899 mil) e São Paulo (R$ 823 mil).

A entidade gaúcha ficou em quarto no top cinco de maiores receitas, com R$ 8,4 milhões. Nesta análise, estão à frente a CBF (R$ 313 milhões) e as federações de São Paulo (R$ 25,7 mi) e Rio de Janeiro (R$ 11,9 mi).

Com isso, a receita da FGF foi três vezes menor do que a dos paulistas, o que, numa comparação com os números do PIB dos dois estados – São Paulo tem um PIB quase cinco vezes maior que o Rio Grande do Sul – permite concluir que os gaúchos estão tendo um desempenho acima do esperado em administração.

A gestão do futebol paulista é feita pelo presidente Marco Polo Del Nero desde 2003. Já os clubes gaúchos têm como representante o idealizador da rede Multisom, Francisco Novelletto Neto, que iniciou em 2007 e segue na presidência até 2015.

Nas respectivas competições regionais, que são organizadas pelas federações, os paulistas são superiores em presença do público nos estádios: o Campeonato Paulista de 2011 registrou uma média de 5,8 mil torcedores, enquanto o Gauchão daquele ano teve média de 3,1 mil pessoas.

Mas é importante lembrar que São Paulo conta com quatro grandes (Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos) e o Rio Grande do Sul divide as atenções entre a dupla Grêmio e Internacional, com pouco espaço para os clubes do interior.

No aspecto do maior patrimônio líquido, além da líder CBF, são citadas as federações paulista, paranaense, carioca e gaúcha.

Por outro lado, chama atenção que a federação comandada por Novelletto esteja entre as maiores credoras, em terceiro lugar, com R$ 13,9 milhões.

No total, a CBF e as 21 federações analisadas tiveram um faturamento de R$ 392,3 milhões e lucro líquido de R$ 80,5 milhões.

Em dezembro do ano passado, o jornal Estadão divulgou que há quase 20 anos, a Confederação Brasileira de Futebol mantém apoio quase irrestrito das 37 federações estaduais distribuindo ajuda financeira mensal.

A contribuição, que começou em 1993 com valores de R$ 8 mil mensais e a obrigatoriedade de justificar a distribuição de gastos, agora é de R$ 50 mil, sem a necessidade de detalhar o uso. Apenas a Federação Gaúcha de Futebol recusa o repasse, segundo a matéria.