Dennison John.

O SAP Labs, centro de pesquisa e desenvolvimento da multinacional instalado em São Leopoldo, na região metropolitana, deve fechar o ano com 750 funcionários, um incremento de 17% frente aos 637 empregados de hoje.

A meta significa um atraso em relação aos objetivos divulgados pela empresa no final de 2013, quando o então presidente do centro, Stefan Wagner, falou em chegar a esse número no final de 2014 e atingir 800 pelo final deste ano.

De qualquer maneira, as perspectivas de crescimento do centro são boas, afirma Dennison John, nomeado para o cargo no começo de março.

"O novo patamar do dólar torna o SAP Labs Latin America mais atrativo para a corporação", avalia o executivo.

Desde o início de março, a moeda americana já subiu 13% e atingiu as maiores cotações em mais de 11 anos, orbitando na faixa dos R$ 3,20. 

O aumento é estimulado pelo ritmo fraco da economia e a tensão política que cerca Brasília, mas também pelo aquecimento econômico dos Estados Unidos, o que sinaliza que um dólar mais valorizado veio para ficar.

Para o SAP Labs Latin America, essa condição significa maior capacidade de disputar linhas de pesquisa com os outros 14 centros da multinacional espalhados pelo mundo, em lugares tão diversos Índia, China, Israel, Rússia, Bulgária, França e Canadá.

Talvez pelo custo comparativo da mão de obra, o SAP Labs brasileiro ainda é um dos menores. 

Está à frente do russo, que projeta chegar aos 250 funcionários até 2015 e tem cerca da metade do chinês, onde trabalham 1,2 mil. O maior Labs é o da Índia, onde trabalham 4 mil profissionais.

Até agora, o Labs brasileiro se concentrou em atividades que só poderiam ser feitas por aqui, ou nas quais o Brasil tem um grande diferencial competitivo. 

O centro começou com localizações necessárias para a nota fiscal eletrônica, área da qual o Brasil é líder.

Em outro projeto ligado a tributos, o SAP Labs Latin America liderou o desenvolvimento de uma solução capaz de agilizar o processamento tributário usando o banco de dados em memória Hana (que outro país pode precisar de algo assim?). 

O centro desenvolveu ainda soluções ligadas ao agronegócio, uma área na qual a SAP tem investido com intensidade no Brasil. 

De uns tempos para cá, o centro tem conseguido diversificar mais suas atividades. Uma das novas áreas é sports management, consequência do festejado contrato da multinacional com o Grêmio, de Porto Alegre.

Recentemente, uma competição interna do centro focou no desenvolvimento de aplicações usando internet das coisas, que resultaram em protótipos de drones para mesuramento de produção agrícolas, roupas de bebês inteligentes e aplicações de smart buildings.

Esse tipo de competição serve tanto para buscar novas linhas de desenvolvimento como para motivar os funcionários da empresa.

De acordo com John, um executivo indiano que desde 2010 está no SAP Labs Latin America, o centro tem o maior índice de engajamento entre todas as operações do gênero no mundo, acima de 90%.

O SAP Labs já é um dos maiores empregadores na área de TI do Rio Grande do Sul, junto com operações semelhantes mantidas pela Dell e HP em Porto Alegre. 

A centro contrata em peso um segmento especialmente disputado da mão de obra. 

Profissionais com cinco anos de experiência compõem 61% do quadro, com uma média de idade de  29 anos. Dos contratados, 86% se formaram nos últimos dois anos.

A empresa consegue reter os funcionários, com uma rotatividade de 6,8%, frente a uma média de mercado na faixa dos 20%. A taxa de retenção dos estagiários é alta (85%), assim como o número de funcionários que foi estagiários (17%). 

Os índices de promoção são da ordem do 30% do quadro anual e as posições de gerência são ocupados em 90% por funcionários promovidos.

Maurício Renner cobriu o SAP Fórum em Sâo Paulo a convite da SAP.