Eduardo Eurnekian, dono da Corporación América. Foto: divulgação.

A Corporación América, holding que administra negócios nas áreas de aeroportos, agroindústria, serviços, energia, infraestrutura e tecnologia, anunciou para o dia 04 de junho a inauguração da Unitec Blue, fábrica de chips que levou investimento de US$ 1,2 bilhão, tudo de capital próprio.

Na primeira etapa, foram aplicados US$ 250 milhões, dos quais a metade se destinou à importação de bens de capital da Alemanha e EUA – valor que representa cerca de 1,7% do total esperado para importações da Argentina para todo 2013, segundo o Valor Econômico.

Localizada em Chascomús, a 120 quilômetros de Buenos Aires, a fábrica argentina irá produzir comercialmente o insumo básico dos chips, o chamado "wafer" de silício, e o próprio semicondutor.

Concorrência direta para o Ceitec, que fica em Porto Alegre e começou a produzir o wafer em 2012, e para a SIX, fábrica de semicondutores financiada pelo BNDES e pelo BDMG, controlada pela IBM e pelo empresário Eike Batista, que foi anunciada no fim do ano passado na região metropolitana de Belo Horizonte.

Ao contrário das fábricas brasileiras, a argentina não tem participação alguma do governo.

Conforme Eduardo Eurnekian, dono da Corporación América, a única participação do governo argentino no empreendimento foi a de não criar entraves para as importações, em um momento de restrições cambiais como o que vive a Argentina.

Subvenções fiscais, subsídio, nada mais vem do governo.

“Não montaria um investimento desse porte sujeito a mudanças na situação política", afirmou o empresário ao Valor.

O empresário é dono da quarta maior fortuna da Argentina, segundo a Forbes, com patrimônio pessoal estimado em US$ 1,8 bilhão.

Sua holding fatura cerca de US$ 1 bilhão ao ano.

Na nova investida, a meta de Eurnekian é produzir dois bilhões de chips por ano.

A empresa já começou a operar, e tem contratos na Argentina e no exterior, sendo um deles para o fornecimento de cartões de transporte no Brasil.

Sobre isso, Eurnekian só revela que se trata de uma prefeitura brasileira, mas não fala qual.

Já inserida no mercado brasileiro, já fabricando seus wafers, a Unitec Blue desponta como nova dor de cabeça para as fábricas brasileiras?

Sim e não: conforme artigo publicado pelo presidente do Ceitec, Cylon Gonçalves da Silva, em dezembro de 2012, mesmo entre as concorrentes nacionais não há tanta disparidade, uma vez que nenhuma das duas tem como resolver o problema da importação de componentes eletrônicos do Brasil.

“Nenhuma das duas empresas tem escala, ou tecnologia, para resolver esse problema”, avaliou ele.

Conforme o dirigente, cada bilhão de faturamento anual de uma empresa de semicondutores é gerado por alguns milhares de empregos diretos, e o Brasil importa cerca de US$ 5 bilhões de componentes por ano, o que representa “dezenas de milhares de empregos” para a criação dos quais nem mesmo os massivos investimentos na SIX são suficientes.

Para Silva, a realidade do Brasil no mercado de semicondutores se equivale "aos primeiros passos de um bebê”, e se este bebê poderá "no futuro ganhar medalhas em competições internacionais", não há como afirmar ou negar agora: "é muito cedo para dizer”, finaliza o pesidente do Ceitec.

O Baguete reproduziu o artigo publicado por Silva. Confira a íntegra.