O que é que a baiana tem? Software de processamento de folha da SAP. Foto: flickr.com/photos/agecombahia/

A Secretaria de Administração do Estado da Bahia vai implementar o gestão de pessoas da SAP, o Human Capital Management (HCM), em 65 empresas e órgãos públicos do estado, com consultoria da Resource IT Solutions. O valor do contrato é de R$ 38,3 milhões com duração de cinco anos.

O software será responsável por gerir dados de 270 mil servidores públicos baianos e deve começar a rodar em janeiro de 2015. É o primeiro grande contrato de software da multinacional alemã em qualquer instância.

A concorrência teve início em junho de 2013 e foi finalizada em dezembro do ano passado. 

No processo, a solução da Resource IT Solutions atendeu aos 231 requisitos técnicos comprovados durante os testes de conformidade exigidos no edital de compra pela SAEB.

No total, a integradora terá um contrato para prestar serviços de implementação de sistemas por três anos e mais dois de suporte técnico.

“Ganhar essa licitação demonstra que os investimentos que a empresa tem feito para atender, com eficácia, ao setor público deram resultados”, destaca Solemar Andrade, vice-presidente Comercial e de Marketing da Resource IT Solutions.

Os sistemas fornecidos serão utilizados para a administração de itens como folha de pagamento, benefícios, interação bancária, rotinas trabalhistas, saúde e segurança dos servidores públicos. 

“Gerenciamos despesas de pessoal da ordem de R$ 15 bilhões por ano, mais de R$ 1 bilhão por mês. Até o momento, executamos esse trabalho com diversos sistemas de informação desenvolvidos internamente, mas que não se comunicam entre si”, explica o secretário da Administração Edelvino Góes.

O contrato fechado pela Resource é uma vitória importante da SAP na sua estratégia de incrementar a participação com vendas para o setor público brasileiro. 

Vale lembrar que a Bahia é administrada pelo PT, partido que, em nível federal, tem defendido uma política de fomento ao uso de software open source na administração pública.

No final do ano passado, o então presidente da SAP Brasil, Diego Dzodan [desde então o executivo foi promovido para um cargo latino americano] revelou a meta de sair das porcentagens de “um dígito” nas vendas públicas para “dois dígitos”.

Não é possível saber o quanto isso representa, mas calculando a quantidade pequenas de cases que a SAP tem na administração pública e o quanto a empresa fatura na iniciativa privada, é uma aposta segura especular que a cifra está em algum lugar abaixo de 5% e a meta é fazer ela passar dos 10%.

A estratégia da SAP para a sua oferta de governo é trabalhar com soluções focadas em necessidades específicas, como processamento de folha, software analítico, portais e aplicativos de mobilidade para serviços ao cidadão.

A multinacional já tem alguns cases, como o governo do Rio de Janeiro, que usa o software de business intelligence Business Objects para interpretar dados sobre a criminalidade e projeta em breve oferecer alguns serviços à população por meio de smartphones. 

Em São Paulo, a Secretaria da Fazenda usa soluções da SAP para processar dados financeiros. O governo baiano é o primeiro case de software de folha, um tipo de solução tido por muitos como um commoditie no mercado de tecnologia.

A Resource esperava fechar 2013 com um faturamento de R$ 400 milhões, um crescimento de 25% em relação ao ano anterior. 

A companhia tem 2,8 mil colaboradores e atende a mais de 300 clientes por meio de 18 escritórios, 14 deles no Brasil e  quatro no Chile, Argentina, Colômbia e Estados Unidos.