Think tanks tratam de pautar o debate sobre algum tema. Foto: Pixabay.

A Associação Brasileira das Empresas de Software - Abes, entidade que congrega 2 mil associados no país, acaba de criar o  Abes Think-Tank, um centro de estudos voltado a produzir indicações sobre política públicas para o setor de tecnologia no país.

A primeira iniciativa será um estudo a ser entregue para todos os candidatos à presidência da República e governos estaduais com propostas concebidas para orientar a transformação digital, o desenvolvimento do setor de software e a inserção do Brasil nas cadeias de valor da economia do conhecimento.

"O nosso objetivo é sugerir políticas públicas que não sejam de governo, mas sim de Estado – ou seja, que de fato representem um projeto para crescimento para um Brasil moderno e com uma indústria de software forte e competitiva, no longo prazo", afirma Vanda Scartezini, conselheira da Abes e líder do Think-Tank.

Trocando mais em miúdos, o estudo da Abes provavelmente buscará influenciar os candidatos no sentido de abandonar o desenvolvimento de software interno nos governos e iniciativas de fomento ao software livre que foram a tônica em boa parte do governo nas administrações petistas.

A maré das políticas públicas começou a virar já no final da administração Dilma Rousseff, com diversos grandes contratos para compras de software proprietário, e virou de vez com Michel Temer, com o início de grandes projetos para compras de computação em nuvem de fornecedores privados.

A equipe do novo think tank tem alguns nomes de peso, como Marcelo Pagotti, ex-secretário da Setic no Ministério do Planejamento, que chegou a ser cotado para ser uma espécie de “CIO do governo federal”; Rodolfo Fucher, ex-diretor de Políticas Públicas da Microsoft e Patrícia Pessi, ex-diretora de Governo Eletrônico do Ministério de Planejamento.

A Abes é uma entidade representativa, na ativa desde 1986 e com os associados faturando na faixa dos US$ 24 bilhões por ano, mas suas ações estão tradicionalmente concentrada em torno do tema pirataria de software.

A influência de um think tank depende da capacidade de gerar pesquisas e dados que pautem o debate público sobre diversos temas, o que está por se ver no caso do Abes Think Tank, que está estreando um formato ainda incipiente no país.

A Universidade da Pensilvânia publica, anualmente, a lista de think tanks com atuação mais relevante no mundo. Em 2008, apenas 7 instituições brasileiras estavam na lista. Na edição de 2016, 23 think tanks brasileiros apareceram nela.

Think tanks são instituições que se dedicam a produzir e difundir informações sobre temas específicos. Seus objetivos são influenciar ideias na sociedade e decisões na política.

No campo científico, a Fundação Getúlio Vargas, o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e o NEV (Núcleo de Estudos da Violência) foram classificados como think tanks de excelência. 

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), criado pelo governo brasileiro para realizar estudos sobre desenvolvimento, desigualdade e renda, também está na lista da Universidade da Pensilvânia. 

Entre os think tanks de iniciativa da sociedade civil, foram listados o Instituto Millenium e o Fórum da Liberdade, por exemplo.