Agilidade está na cabeça dos bancos. Foto: Pexels

O assunto agilidade está pouco a pouco conquistando seu espaço entre os maiores bancos do país, organizações mais conhecidas pela sua abordagem tradicional do tema desenvolvimento de software.

É o que apontam dados da pesquisa anual sobre investimentos dos bancos divulgada pela Febraban nesta quinta-feira, 18.

Segundo dados da pesquisa sobre os investimentos em treinamentos dos bancos, em 2019 as capacitações focadas em formação de times ágeis receberam R$ 7,1 milhões.

A formação dos times de TI recebeu R$ 17,3 milhões e a de pessoas em geral dentro dos bancos chegou a R$ 107,3 milhões.

Quando o assunto é o número total de participantes, 146 mil funcionários passaram por treinamentos em tecnologia, enquanto 31 mil profissionais de TI foram capacitados e 11,4 mil participaram de formação de times ágeis.

Como os times de TI têm uma participação importante dentro das equipes ágeis, é possível deduzir que uma parte importante deles passou por treinamentos focados no método.

Segundo a Febraban, o valor investido no treinamento de times ágeis é significativo para o setor, que começou a aplicar a técnica timidamente entre 2016 e 2017 e apostou nela de vez no ano passado.

“São treinamentos que não são tão caros e, quando você olha a quantidade de pessoas, nós estamos falando de 11,4 mil pessoas treinadas. Pensando numa estrutura de quais pessoas do banco trabalham na área, é um número forte”, afirma Gustavo Fosse, diretor de TI no Banco do Brasil e diretor setorial de tecnologia e automação bancária da Febraban.

Nos últimos meses, o Baguete cobriu algumas iniciativas de desenvolvimento ágil em organizações do setor financeiro.

É o caso do Sicoob, que, em 2019, apostou na criação de um laboratório próprio para criar as suas soluções de TI. O banco reuniu cerca de 200 profissionais dos times de tecnologia e de negócios para acelerar as entregas, que são todas desenvolvidas internamente.

Um pouco antes, o Banrisul, banco estatal gaúcho, também adotou metodologias ágeis na sua unidade de transformação digital, vinculada à área de tecnologia da informação.

Ainda de acordo com a pesquisa da Febraban, o setor bancário aumentou em 24% seu orçamento para tecnologia de forma geral na comparação entre 2018 e 2019, o que inclui as despesas e os investimentos na área.

No período, os investimentos aumentaram 48%, passando de R$ 5,8 bilhões para R$ 8,6 bilhões, crescimento vindo da injeção de capital em ATMs e softwares, além de ambiente distribuído e mainframe.

Já as despesas cresceram de R$ 14 bilhões para R$ 16 bilhões, também puxadas por gastos com ambiente distribuído e mainframe, assim como equipamentos para usuários finais.

Assim como nos anos anteriores, as despesas e investimentos em software estiveram no centro das atenções das instituições financeiras, somando R$ 13,2 bilhões, ou 54% do total. 

O setor bancário é o maior investidor privado em tecnologia no Brasil e no mundo, responsável por 14% do total destinado à área em ambos. O setor governamental vem um pouco na frente, sendo responsável por 15% dos dispêndios com tecnologia no país e 16% em termos globais.

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2020 foi realizada pela Deloitte com 22 bancos que representam 90% dos ativos da indústria bancária. Todos responderam um formulário e, na sequência, 10 executivos da área de tecnologia foram selecionados para conceder entrevistas mais aprofundadas.