Marcelo Camelo. Foto: divulgação.

A catarinense Globalminds aposta na biometria comportamental como um diferencial para a segurança de ambientes digitais, com a oferta nacional do Biotracker, um rastreador comportamental de usuários em ambientes virtuais fechados.

Atuando há cerca de dez anos no mercado de soluções de TI, como integradora de empresas como a QlikTech, fabricante do BI QlikView, a companhia de Florianópolis desenvolveu em 2012 uma parceria com a Plurilock, criada na universidade Victoria (Canadá) para lançar a tecnologia de controle de senha e acesso a ambientes restritos.

De acordo com Marcelo Camelo, executivo sênior de Business Development da Globalminds, a tecnologia é nova, mas a empresa apostou em uma parceria comercial com a universidade para trazer a solução ao Brasil.

"Eles recém estão começando a levar as soluções ao mercado, mas já asseguramos o direito de vendê-las por aqui e, futuramente, países vizinhos, formatando a oferta de acordo com o mercado", explica.

Segundo ressalta Camelo, o Biotracker utiliza o conceito de biometria comportamental para autenticar acessos e padrões de uso em sessões fechadas por senha, reconhecendo cada usuário através do modo de uso do teclado e do mouse baseada em algoritmos testados em diversas condições de uso.

Essa autenticação é baseada em um perfil específico construído para cada usuário em cada computador utilizado para a conexão aos sistemas da organização via rede local ou via web.

Após autorizado, o usuário fica conectado e entra em ação a "autenticação contínua", que monitora o comportamento do indivíduo durante todo o seu tempo de conexão, sem interferir no conteúdo do trabalho.

Todas as ocorrências de desvio no perfil e de bloqueio ficam registradas no servidor e indicadores de alertas são apresentados imediatamente aos administradores da rede via painel do servidor.

"O sistema conta com uma inteligência artificial para detectar anomalias nestes padrões e aprender com ele. No entanto, em casos mais avançados em que o padrão não é reconhecido, e o sistema é automaticamente bloqueado", explica o executivo.

Caso isso ocorra, o sistema usa o Pluripass, que se baseia na mesma técnica para reconhecer a senha e o padrão de digitação do usuário, para liberar o acesso novamente.

Conforme Camelo, o plano da companhia para os próximos meses é mostrar os atrativos do Biotracker para diversos setores que planejam acrescentar novas camadas de segurança e evitar fraudes em seus ambientes.

"Estamos focando inicialmente em segmentos como corporativo, com controle de acesso e segurança a sistemas e redes, análise forense e investigação policial, integração com ponto eletrônico e e-commerce", frisa.

No caso do EaD, a companhia já conduziu um piloto com a solução em um curso da Universidade Federal de Santa Catarina, monitorando tutores e cerca de cinco mil alunos.

De acordo com Camelo, atualmente a empresa está em negociações com um bom número de empresas para a implantação da solução, mas prefere não comentar informações antes de fechar negócio.

No entanto, para comandar a estratégia para isso, experiência ele tem. Camelo é um executivo experiente na área de TI, tendo passagem por cargos de gerência na CPM Braxis e IBM, além das gerências de TI da Hering e Whirlpool. Antes de fundar a Global Minds, estava atuando no canal SAP C-S3G.

Segundo o executivo, muitas empresas estão acordando para a necessidade de reforçar ainda mais as suas estruturas de segurança, ainda mais com a virtualização de suas operações.

Para se ter uma ideia, nos bancos brasileiros, fraudes digitais resultaram em um prejuízo de R$ 1,4 bilhão em 2012, segundo dados da Febraban.

"Segurança da informação é uma cultura, e pouco a pouco as empresas, de todos os portes, estão vendo que é preciso consolidar este conceito", finaliza.