Márcio Luís Miorelli.

A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional) passou a funcionar em novembro como uma Federação.

Com a mudança,  outras associações locais e entidades sem representação nacional poderão se federar, aumentando assim sua representatividade por meio da Assesspro, que, ao mesmo tempo, amplia assim a sua base de associados, hoje em 1,4 mil empresas.

“O setor tem muitas entidades segmentadas por área de atuação que podem se beneficiar da nossa representatividade e fazer avançar a área de TI”, aponta Márcio Luís Miorelli, vice-presidente de Planejamento e Governança da Assespro Nacional e conselheiro consultivo da regional RS.

Alguns exemplos de entidades com atuação segmentada são a Abradisti, que reúne distribuidores de tecnologia; a Abragames, que reúne desenvolverdores de jogos. Também a entidades com foco regional como a Ativales, de empresas do Vale do Rio Pardo e Taquari, no Rio Grande do Sul.

O movimento também pode ser lido como uma aposta da Assespro Nacional por fortalecer a entidade.

O setor já possui um organismo que reúne diversas entidades: a Frente Nacional das Entidades de Tecnologia da Informação (FNTI), da qual participam a própria Assespro Nacional, ABES, Brasscom, Fenainfo, Softex e Sucesu. 

Na prática, porém, a voz mais forte dentro da FNTI é a Brasscom, entidade que reúne multinacionais e empresas brasileiras com forte foco em exportação de serviços de TI.

Em algumas ocasiões, os interesses dessas empresas não estão 100% alinhados com o de pequenas empresas brasileiras de software, focadas principalmente no mercado nacional, que formam a maior parte da base de associados da Assespro.

Um dos exemplos no qual isso ficou claro foi a isenção de impostos sobre a folha de funcionários de empresas exportadoras de software. 

Uma medida de incentivo apoiada pela FNTI, ela foi criticada outras entidades como a Assespro-RS e o Seprorgs, que viam a medida como geradora de um desequilíbrio no mercado de trabalho, ao fazer com que as multis e grandes empresas tivessem custos menores que as empresas nacionais.

A Brasscom rebateu que a oposição seria uma reação de empresas com uma força de trabalho baseada em PJs, que já não pagam impostos sobre a folha e passariam a ser tributadas no novo modelo.

A movimentação da Assespro Nacional também reforça o papel da entidade como representante da área empresarial de TI, que a entidade disputa veladamente com os sindicatos patronais em cada estado.

Os sindicatos de empresas de TI tem uma representação nacional dividida dentro de confederações que envolvem setores amplos da economia. Alguns estão alinhados com a Confederação Nacional do Comércio, como é o caso do gaúcho Seprorgs, e outros com a de Serviços, como o paulista Seprosp.