Matthew Small, diretor internacional de Blackboard.

A Blackboard, multinacional de soluções para ensino à distância, terá data center no Brasil.

A novidade foi divulgada pela empresa em nota nesta quarta-feira, 19. A empresa, no entanto, não informou qual é o prazo, o local, o preço ou qualquer outra característica do centro.

A nova unidade vai ser complementar às já existentes em Singapura, Alemanha, Holanda, Estados Unidos, Austrália e Canadá.

O novo centro visa melhorar os serviços prestados por aqui, em um momento de crescimento da empresa. São mais de um milhão de usuários em 70 instituições diferentes.

Em maio deste ano, a Blackboard fechou um negócio com a Positivo que representou um acréscimo substancial à base de usuários numa tacada só.

Com o contrato, a Universidade Positivo passa adotar a plataforma para 10 mil alunos.

O pulo do gato, no entanto, é representado pelas cerca de 40 instituições de ensino superior usuárias do Portal Universitário, um dos portais de educação criados pela Positivo Informática. Elas podem migrar para a BlackBoard e totalizam mais de 100 mil alunos.

“Cada vez mais as instituições brasileiras estão procurando por soluções privadas na nuvem, não só para ajudá-los a gerenciar o fluxo de estudantes, mas também a atender à crescente demanda dos usuários por acessibilidade e confiabilidade dos sistemas”, explica Matthew Small, vice-presidente da divisão internacional da Blackboard. 

A empresa é a última de uma longa lista de multinacionais que já criou ou está criando centro de dados no Brasil nos últimos meses. Já tomaram a decisão SAP, Oracle, Amazon, Huawei e Dimension Data, entre outros.

Não se sabe que peso teve na decisão da BlackBoard e das demais gigantes de TI a decisão recente do governo brasileiro de tributar a hospedagem no exterior de serviços consumidos no Brasil.

Em outubro, em uma decisão que não surpreenderá ninguém familiarizado com a sanha arrecadatória do governo brasileiro esse tipo de serviço passou a sofrer incidência de impostos de renda (IRPF retido em fonte), Cide-Royalties (Imposto de Intervenção no Domínio Econômico), PIS/Pasep-Importação, Cofins-Importação, assim como IOF e ISSQN.

Segundo avaliam especialistas da Under, empresa de data center sediada em Porto Alegre, a adição destes tributos podem somar à conta final das empresas mais de 50% do valor pago pelo serviço.

Hoje em dia, a contratação de serviços de data center no Brasil são cerca de 15% mais caros que os oferecidos em estruturas fora do país, sem contar o nível de serviço, que costuma ser melhor.

Com a nova tributação, a conta muda: os serviços de centro de dados contratados localmente passam a ser 20% mais baratos que os de data centers no exterior.

A Blackboard é representado com exclusividade no Brasil desde 2011 pelo Grupo A, editora de livros educacionais.

Há 38 anos no mercado, a Grupo A – Artmed Editora até 2010 – é uma holding formada pelos selos editoriais Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGrawHill, Penso e Tekne.

São clientes, organizações como Feevale, FGV, FAAP, Dom Cabral, ESPM e Senac-SP.

A Blackboard fechou o capital em 2012, após ser adquirida por US$ 1,64 bilhão por um fundo de investimentos. Em 2010, último ano para o qual existem dados públicos do ano, o faturamento foi de US$ 447,32 milhões.