Interior de ônibus da Marcopolo.

A Marcopolo, uma das maiores fabricantes mundiais de carrocerias de ônibus, está inovando na sua área de software para gestão fiscal, que passará a rodar sobre o banco de dados em memória SAP Hana em um projeto previsto para iniciar em janeiro de 2015.

O projeto está sendo executado pela paranaense Pelissari em conjunto com o SAP Labs Latin America, centro de suporte e desenvolvimento da multinacional em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

A empresa já usava o software Soficom da Pelissari como seu módulo para a área fiscal. Agora, a solução está sendo preparada para rodar no Hana dentro do chamado Tax Declaration Framework da SAP.

O objetivo da empresa é sincronizar informações geradas por todos os aplicativos fiscais da companhia com o ERP da SAP, mantendo estes dados armazenados em repositório único na plataforma Hana.

Em um país no qual mais de 80 impostos representaram 36,3% do PIB em 2012, alguns dos maiores clientes da SAP sofrem um gargalo no processamento das suas obrigações tributárias. Erros podem gerar multas enormes. Pagamentos em excesso não rendem nem um tapinha nas costas.

Com tempo limitado, as empresas conseguem somente processar os impostos, perdendo oportunidades de analisar os dados para encontrar erros, ou mesmo explorar a informação para ajudar na hora de tomar decisões de negócio como onde instalar um novo centro de distribuição, por exemplo.

“É uma aquisição estratégica para a companhia. A expectativa é de alcançarmos um novo patamar de gestão tributária para dar vazão a uma legislação complexa e em constante alteração”, comenta o CIO da Marcopolo, Celso Antonio Tonolli.

Para a Marcopolo, qualquer otimização na área tributária pode significar muito dinheiro. 

A empresa teve uma receita líquida consolidada de R$ 3,6 bilhões em 2013, uma alta de 8,6% frente aos resultados do ano anterior. Desse total, cerca de um terço foi obtido com exportações.

A companhia prevê para 2014 investimentos de R$ 160 milhões, receita líquida de R$ 3,8 bilhões e produção de 20,8 mil ônibus nas unidades do Brasil e nas 12 do exterior.

O projeto coloca a Pelissari, que em 2013 faturou R$ 56 milhões, uma alta de 5% frente ao ano anterior, em um grupo de grandes parceiros da SAP para a área fiscal que participaram do lançamento do TDF em março: AllTax, Sonda IT, Firsteam, Systax, Engineering e Thomson Reuters. 

Esse pode ser o primeiro de vários projetos do tipo para a Pelissari. Sediada em Curitiba, a empresa  tem unidades em Caxias do Sul e Joinville e atende clientes como Tupy, Tigre e Embraco em Santa Catarina, Grupo Randon no Rio Grande do Sul e Arauco, GVT, Renault no Paraná.

A SAP, por sua parte, tem se esforçado para tirar o máximo proveito da tecnologia de ponta do Hana para processar tributos, um desses desdobramentos que só podem acontecer no Brasil. 

As movimentações nesse sentido começaram em dezembro de 2011, quando o SAP Labs começou a pesquisar maneiras de usar o então recém-lançado Hana para a área tributária. Junto com agronegócios, essa é uma das principais áreas de atuação do centro.

A meta final é clara: resolver pelo menos a maior parte dos problemas de inconsistências de dados entre o ERP e os módulos fiscais, que os concorrentes gostam de apontar como o calcanhar de aquiles dos alemães no Brasil, e, ao mesmo tempo entregar benefícios extra derivados do poder de processamento.