Ana Paula Lemos trabalhava como operadora na cabine de uma perfuratriz e hoje monitora o equipamento de uma sala de comando. Foto: Divulgação.

A Vale vai iniciar os testes para operação autônoma de caminhões fora de estrada na mina de Carajás, no Pará. Para incrementar o projeto, a Vale fechou um acordo com a Vivo para implementar uma rede privada 4G/LTE em suas operações no Brasil. 

O contrato busca otimizar o uso de equipamentos autônomos, que exigem cobertura em áreas amplas e tráfego para um volume expressivo de dados. O investimento no projeto será de cerca de R$ 21 milhões. 

A partir do primeiro semestre de 2020, a rede estará disponível na mina de Carajás. Em seguida, a rede deve chegar à mina de Brucutu. A rede tem potencial de ser usada ainda para conectar instrumentos de monitoramento de barragens.

“Uma solução de LTE privado supre as necessidades específicas das empresas, atendendo aos requisitos das aplicações de missão crítica que demandam alta segurança, mobilidade nas linhas de produção, espectro livre de interferências e priorização de tráfego, conectando um alto volume de dispositivos IoT em um ecossistema aberto e amplamente disponível”, afirma Alex Salgado, vice-presidente B2B da Vivo.

O projeto de caminhões funcionando sem operadores nas cabines já foi introduzido na mina de Brucutu, em Minas Gerais. Agora, chegará à maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo. 

 O objetivo é aumentar a segurança das operações, além de gerar benefícios ambientais e ganhos de competitividade. A fase de testes dos equipamentos deve ter início em novembro com dois caminhões.

A mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, passou a operar somente com caminhões fora de estrada autônomos neste ano, somando 13 equipamentos. Já em Carajás, os autônomos vão conviver ao lado dos caminhões convencionais. 

O período de testes deve ir até junho de 2020, quando os autônomos começam a entrar em operação. O número de veículos crescerá ano a ano e, dependendo dos resultados dos testes, deve chegar a 37 em 2024.

A previsão é que no final de novembro dois caminhões autônomos iniciem a fase de testes em uma área isolada da mina de Carajás. O treinamento dos operadores já teve início no mês de outubro. Na mina já existem também três perfuratrizes atuando de forma autônoma desde o ano passado. 

Na operação autônoma, os caminhões são controlados por sistemas de computador, GPS, radares e inteligência artificial e monitorados por operadores em salas de comando a quilômetros de distância das operações. Ao detectar riscos, os equipamentos paralisam suas operações até que o caminho volte a ser liberado. 

Os sensores do sistema de segurança são capazes de detectar tanto objetos de maior porte, como grandes rochas e outros caminhões, até seres humanos que estejam nas imediações da via.

A Vale espera conseguir aumento da vida útil de equipamentos da ordem de 15%. além de redução de 10% no consumo de combustível e nos custos de manutenção.

"É mais um avanço que traz ganhos econômicos, ambientais e sociais: reduz a exposição dos empregados a riscos, aumenta a competividade, reduz a emissão de gases poluentes e ainda impulsiona uma capacitação e evolução das competências profissionais, acompanhando uma tendência natural e vivenciada hoje no mercado em todo o mundo", diz Antonio Padovezi, diretor do Corredor Norte da Vale.

A estratégia de operação autônoma conta um plano de desenvolvimento de pessoas, que inclui a criação de um centro de treinamento na cidade de Parauapebas pela empresa fornecedora. O plano seguirá a mesma linha de Brucutu, onde todos os operadores que atuavam nos caminhões convencionais foram realocados para outras funções. 

Uma parte da equipe em Minas Gerais passou a atuar na gestão e controle dos equipamentos autônomos e outra parte assumiu novas ocupações advindas com a automação. Alguns empregados foram realocados para outras áreas.