VIDA REAL

Home office foi uma desilusão?

19/11/2020 14:14

Estudo aponta que o entusiasmo inicial com trabalhar em casa caiu muito.

Cansei. Foto: Pexels.

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O home office foi uma desilusão para muitos profissionais.

Pelo menos, é o que aponta um estudo da Orbit Data Science que mapeou quase 5 mil comentários na Internet entre janeiro e outubro, constatando que o entusiasmo em torno do assunto foi caindo na medida em que os profissionais começaram a viver a realidade de trabalhar em casa na prática.

Em janeiro e fevereiro, quando o home office era uma aspiração ou uma realidade esporádica para a maioria dos profissionais, os comentários eram positivos na grande maioria (71%). Os negativos ficaram em (26%).

Em março, quando muitas empresas mandaram suas equipes para cada como uma reação à pandemia, o número de comentários descontentes aumentou para 38%, mas os positivos ainda eram a maioria, com 56%.

Entre abril e junho, quando ficou claro que o home office havia chegado para ficar por um longo período, os comentários se tornaram uma maioria, com 50,3%, frente a 45% de positivos.

Entre julho e outubro, a liderança se inverteu, com 50,6% de positivos e 43,4% de negativos, mas parece claro que permanece uma divisão acirrada em torno do assunto. 

Os comentários, recolhidos no Twitter, Instagram, Facebook e comentários de portais de notícias, mostram uma realidade complexa em torno do tema home office.

“Observamos uma crise de imagem do home office porque ele passou de ideia para realidade. Se antes era praticado por alguns profissionais apenas alguns dias por mês, passou a ser o novo padrão estabelecido. E isso traz muitas questões à tona”, afirma Caio Simi, CEO da Orbit. 

Os comentários revelam o cotidiano dos profissionais frente a desafios práticos, como a falta de um ambiente de trabalho equivalente ao do escritório.

Assim, entre abril e julho, começaram a aparecer mais comentários de pessoas reclamando de dores nas costas, dores no corpo e estresse, o que acabou virando a balança.

Outro ponto que apareceu com frequência foi a questão das jornadas de trabalho alongadas, que já foram indicadas também em outros estudos.

“Destacam-se opiniões como ‘tenho que trabalhar mais’ e ‘tenho de estar disponível o dia todo’”, conta Simi.

A partir de agosto é uma polarização entre aqueles que desejam voltar ao regime presencial e quem não quer retornar ao escritório.

Ao cabo das análises, chegou-se à formação de oito clusters de comentários, exatamente quatro grupos para cada lado, a favor e contrários ao home office. 

Entre os que têm visão mais positiva, estão os passageiros, flexíveis, aconchegados e saudosos do home office. Já entre os que não gostam tanto do trabalho remoto estão os saudosos do escritório, os  “distraíveis”, sobrecarregados e inadaptados. 

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