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CIOs da UE fazem pressão contra Oracle e Microsoft

19/11/2021 06:01

Entidades enviam carta para o parlamento europeu reclamando de práticas de licenciamento.

CIO europeu colocou a boca no trombone. Foto: Pexels.

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Entidades representando milhares de CIOs enviaram uma carta para o parlamento europeu com queixas sobre as práticas de licenciamento das nuvens da Oracle e Microsoft.

Na carta, as entidades fazem referência a um estudo recente do CISPE, uma associação que reúne provedores de nuvem europeus, apontando práticas dos grandes provedores que prejudicam os clientes.

O relatório aponta, por exemplo, que a suíte de produtividade da Microsoft tem um preço de licenciamento maior caso o cliente queira usar outra nuvem que não seja a Azure, e que a empresa eliminou os acordos do tipo “Bring Your Own License”, tornando mais caro a migração de software on premise.

A Oracle também foi criticada pela suas práticas de cobrança, que também diferenciam entre a sua nuvem e a nuvem de terceiros.

O relatório também aponta mudanças constantes nas práticas de licenciamento e termos de uso “deliberadamente vagos”, visando aumentar os custos uma vez que os clientes já não conseguem mover suas cargas de processamento, o chamado lock in.

“As conclusões do estudo provam uma variedade de práticas injustas sendo usadas para privar os membros das nossas organizações de escolhas e os nossos clientes de produtos mais inovadores”, resumem as entidades na carta, divulgada pelo The Register.

O texto afirma ainda que provar a ilegalidade dessas práticas exigiria longas investigações, sob a regulamentação atual de competição, durante as quais as organizações não têm alternativas e podem sofrer “medidas retaliatórias”.

“Isso significa que as organizações vão simplesmente aceitar termos de uso caros e injustos”, resume a carta, assinada por entidades como a alemã Voice, que representa 400 CIOs e a francesa Cigref, que agrupa 150 grandes usuários, incluindo nomes como a Airbus.

Em entrevista para o The Register, Hans-Joachim Popp, do grupo alemão Voice, pede o estabelecimento de APIs e standards operacionais para assegurar a compatibilidade entre diferentes provedores.

“Hoje, esses standards são proprietários e podem ser mudados aleatoriamente por razões de marketing. Com features especiais um provedor de nuvem pode ter um lock in quase sem nenhuma saída”, resume Popp.

Não é de hoje que vem a insatisfação de governos e grandes corporações europeias com os grandes provedores de computação em nuvem, que, vale lembrar, são todos sediados nos Estados Unidos.

No ano passado, a União Europeia lançou Gaia-X, uma organização sem fins lucrativos que visa constituir uma alternativa europeia no mercado de computação em nuvem.

A iniciativa une 22 grandes empresas, incluindo gigantes de manufatura como Siemens, BMW e Bosch, operadoras de telecomunicações como a Deutsche Telekom, o maior player europeu de data center, a francesa OVH Cloud (cujos data centers andaram pegando fogo) e empresas de tecnologia como SAP e Atos.

O objetivo do Gaia-X é criar as regras pelas quais provedores de serviços na nuvem podem interoperar estando compliance com regulações da União Europeia, visando garantir segurança de dados e transparência.

Como na prática o Gaia-X deve oferecer uma alternativa aos players já estabelecidos não fica muito claro, mas dá para imaginar que a União Europeia pode criar regulação que torne a vida dos competidores mais complicada, enquanto fomenta o desenvolvimento da sua alternativa.

A pressão política dos grandes clientes junto ao parlamento europeu é parte desse contexto.

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