BIM promete baratear obras públicas. Foto: flickr.com/photos/agecombahia

O governo de Santa Catarina começou a fazer um movimento para incluir projetos desenvolvidos com sistemas de informações do modelo de construção (BIM, na sigla em inglês) como um requisito em compras públicas.

Com o BIM, vencedores de licitações públicas precisam apresentar em forma eletrônica, detalhada e em tempo real, todo o ciclo de vida de uma construção, da arquitetura à execução final.

O fluxo de dados inclui gerenciamento, processos construtivos, fases de trabalho e suas quantificações, orçamento e custo da obra com alta precisão. 

A abordagem é uma evolução do trabalho de design dos projetos em sofwares de CAD 3D para arquitetura. No entanto, o governo catarinense terá uma abordagem cautelosa na adoção da novidade. 

Em março, a Secretaria de Planejamento do Estado promoverá um seminário para engenheiros e arquitetos apresentando o conceito e lançando os dois primeiros editais com uso de BIM, para a construção do Instituto do Coração, em São José, e uma ampliação do hospital de Joinville. 

O termo de referência usado pelo governo catarinense foi elaborado por técnicos do governo catarinense, com apoiod a MaxiCAD, uma revenda gaúcha das soluções de CAD da Autodesk, líder na área de arquitetura, e da consultoria especializada em BIM paulista Coordenar.

São obras relativamente pequenas. O  Instituto do Coração deve ter 20 mil metros quadrados. Já a reforma em Joiville inclui três alas de internação, do centro cirúrgico e do centro de materiais com custo na faixa dos R$ 6 milhões.

“Por enquanto é inviável exigirmos esta tecnologia para todos os editais por falta de conhecimento dos profissionais”, explica o secretário de planejamento Murilo Flores. “Com o fomento da ferramenta será possível, aos poucos, torna-la uma exigência”, completa.

O governo tem feito movimentos lentos para fomentar a adoção de BIM, principalmente em nível federal pelo menos desde 2007.

Em agosto do ano passado, Marcos Otávio Bezerra Prates, diretor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), afirmou durante um seminário especializado que o ministério estava concluindo um projeto para que, em 2014, esteja no ar um portal na web inteiramente dedicado ao BIM.

Elaborado em parceria com o Exército e outros órgãos governamentais, o portal consolidará as principais informações relativas a todos os aspectos relacionados com a construção civil, contando, principalmente, com uma série de manuais práticos para o uso do BIM. 

O projeto do MDIC envolve também a criação de uma biblioteca virtual que reunirá informações com todos os parâmetros relativos ao setor da construção civil.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão com orçamento anual de R$ 20 bilhões, vem fazendo ruídos desde 2012 sobre adotar o BIM como requisito obrigatório em licitações.

A intenção era que isso ocorresse já nos leilões das rodovias federais 040 e 116, que estavam marcados para o final de janeiro de 2013, mas a ideia foi adiada e não houve mais novidades sobre o assunto..

Até agora, no entanto, somente a Petrobras solicita em contrato, com frequência, a entrega de projeto executivo em plataforma BIM.