O PAN gere uma carteira de 5,3 milhões de clientes. Foto: divulgação.

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O Banco PAN, controlado pelo BTG Pactual e pela Caixa Econômica Federal, contratou a Dextra, especialista em desenvolvimento de software sob medida adquirida pela Mutant em 2018, para tocar a implantação do Pix na instituição.

Desde 2018, o PAN participava de reuniões junto ao Banco Central e demais participantes do mercado sobre o novo sistema de pagamentos. Em fevereiro de 2020, a empresa lançou sua conta digital e, logo em seguida, priorizou a implementação do Pix, que começaria a operar em novembro do mesmo ano.

Baseada no calendário de implementação, a companhia montou um time para o projeto do Pix e definiu que haveria uma squad exclusiva para o tema, além de 15 especialistas da Dextra — que representaram a maior parte da equipe envolvida.

Segundo a instituição, a escolha da Dextra foi quase natural, pois o PAN trabalhava com a empresa havia cerca de um ano quando se deparou com a necessidade de incorporar o novo sistema de pagamentos à plataforma.

A Dextra atendia o banco em demandas como no desenvolvimento de uma das frentes da conta digital. 

“Sempre chamamos a Dextra para os nossos desafios. O time deles é muito bom tecnicamente, o que é fundamental, porque, se não tivesse a senioridade adequada, não conseguiríamos entregar o Pix”, afirma Cícero Menezes, superintendente de tecnologia do Banco PAN.

Durante o projeto, o a companhia montou um calendário dos times de forma que os desenvolvimentos ocorriam em paralelo para se encontrar no meio do caminho. Houve, por exemplo, datas estipuladas para a junção dos códigos.

“Foi desafiador fazer esta junção e garantir que o aplicativo que estava no ar não seria afetado. Fazer separado foi a chave do sucesso, já que o aplicativo da conta digital continuava evoluindo e não quisemos atrapalhar o andamento”, explica Menezes.

Da parte da Dextra, os times se dividiram também entre aqueles que desenvolveram as funcionalidades móveis, de front-end e back-end. No mobile, as APIs foram desenvolvidas para Android e iOS. 

Foram criados dois módulos distintos e iguais, um para cada sistema, que foram integrados à plataforma da conta digital, o que exigiu um trabalho em conjunto com o time de conta corrente.

No que diz respeito ao front-end, o banco utilizou plataformas nativas: iOS com a linguagem Swift e Android com a linguagem Kotlin. No back-end, utilizou-se a linguagem Java em framework Spring, com microsserviços e hospedagem em cloud AWS.

O back-end se integra à plataforma de sistema de gerenciamento de pagamento instantâneo (GI), que foi sendo desenvolvido conforme a equipe desenvolvia o back-end. 

“Isso foi um enorme desafio, porque íamos criando pensando no que poderia vir, partindo do princípio de que seria de um determinado jeito. Além disso, o BC alterava coisas durante o caminho e tínhamos de corrigir a tempo”, conta Érica Turcarelli, líder de squad da Dextra.

Durante o processo de desenvolvimento, o BC antecipou o cronograma previsto, determinando que seria necessário estar com a plataforma pronta para os clientes fazerem o pré-cadastramento das chaves entre 5 de outubro e 3 de novembro.

“Essa demanda não tinha sido programada e surgiu em 22 de julho, durante o processo de desenvolvimento da plataforma. Foi um adiantamento do Banco Central que conseguimos cumprir”, lembra Rodrigo Romero, head de negócios da Dextra.

Depois, veio a fase preliminar de abertura, o soft launch, que começou em 3 de novembro e antecedeu o lançamento oficial, em 16 de novembro. O período, segundo Romero, se mostrou essencial para identificar e resolver possíveis disfunções.

A modalidade de pagamento instantâneo foi inserida no aplicativo do Banco PAN e, desde então, as transações Pix estão disponíveis para todos os clientes da conta digital. O sistema logo superou o TED se tornou o principal meio usado pelos correntistas para fazer transações.

Além disso, o PAN acrescentou duas funcionalidades ao seu PIX. A primeira é que, quando abre a conta, o cliente encontra imediatamente a possibilidade de cadastrar a chave PIX, diretamente no onboarding. 

A outra foi a inserção de um atalho no aplicativo móvel, antes de fazer o login, que direciona para o Pix, com o intuito de facilitar e agilizar o acesso.

“O PIX foi um desafio para todos do mercado e um aprendizado único. Temos de lembrar que a TED foi lançada há 20 anos e não participamos da implementação dessa funcionalidade. Agora, o PIX é outro marco dentro do mercado financeiro”, afirma Henrique Marise, responsável pelo time de meios de pagamentos do Banco PAN.

O PIX acaba de completar seis meses de operação, com mais de 1,5 bilhão de transações realizadas que movimentaram mais de R$ 1,1 trilhão. 

No total, foram cadastradas mais de 242 milhões de chaves de 5,5 milhões de empresas e 83 milhões de pessoas físicas. Segundo o BC, cerca de 5 milhões de brasileiros já usaram o PIX, o equivalente a 45% da população adulta do Brasil.

Fundado em 2011, o PAN é controlado pelo Banco BTG Pactual S.A. e pela Caixa Participações S.A. (CAIXAPAR), possuindo um patrimônio líquido de R$ 5,4 bilhões.

Com 2.678 colaboradores, atua com foco em crédito consignado, financiamento de veículos usados e motos novas, além da conta corrente digital, cartões de crédito e venda de seguros. 

O PAN gere uma carteira de 5,3 milhões de clientes e está presente em todo o território nacional, operando com uma rede de 16 mil lojas e concessionárias parceiras e mais de 821 correspondentes bancários, além de 60 pontos de atendimento próprios.

Já a Dextra, sediada em Campinas, foi adquirida pela Mutant e, em 2020, teve suas operações unidas à Cinq, que tinha uma oferta semelhante e uma carteira complementar de clientes.

Após a fusão, a nova companhia dobrou o quadro de funcionários, chegando a 1 mil pessoas em janeiro de 2021.

No total, a Mutant tem 3 mil funcionários e teve um faturamento de R$ 600 milhões em 2019, o dobro do obtido dois anos antes, em 2017. A empresa atende mais de 330 clientes, entre eles Itaú, Claro, Telefônica, Serasa, Smiles e Raízen.