Nanosatc-BR1 ainda na sua fase de produção. Foto: divulgação.

Foi lançado ao espaço o NanosatC-BR1, primeiro nanossatélite produzido no Rio Grande do Sul, desenvolvido pelo Inpe em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

O dispositivo foi disparado nesta quinta-feira, 19, na base espacial em Yasny, na Rússia e está 100% operacional. De acordo com o Inpe, cerca de R$ 2 milhões foram investidos.

Segundo o membro da Equipe de Rastreio e Controle de Nanossatélites (do programa Nanosatc-Br), Thales Mânica, já foram realizados teste de envio e recebimento de comandos.

“Todos os procedimentos de operação foram concluídos com sucesso, e estão devidamente documentados. O NanosatC-BR1 está em órbita e transmitindo beacon em código Morse”, destaca Mânica, completando que este é o primeiro nanossatélite brasileiro em órbita.

O lançamento do nanossatélite é motivo de comemoração para o Pólo Espacial Gaúcho, iniciativa estabelecida em 2013 para incentivar a indústria aeroespacial no estado, um convênio entre Governo, empresas de tecnologia, universidades, Forças Armadas e instituitos científicos como Ceitec.

“A meta desta gestão tem sido introduzir o Rio Grande do Sul no mercado internacional. Esse primeiro nanossatélite totalmente gaúcho mostra a capacidade dos nossos pesquisadores", destacou Cleber Prodanov, secretário da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (SCIT).

Com pouco mais de um quilo e orbitando a cerca de 600km de altitude, o NanosatC-BR1 comporta dois instrumentos científicos, sendo um magnetômetro e um detector de partículas, para o estudo em tempo real da precipitação de partículas e de distúrbios na magnetosfera sobre o território nacional.

Além disso, o dispositivo conta com duas cargas tecnológicas, que enviam sinais de monitoramento internos dos circuitos integrados do nanosatélite para as estações do Inpe, em Santa Maria, e do ITA, em São José dos Campos.

Segundo Adriano Petry, chefe do Centro Regional Sul (CRS) do Inpe, estas informações servirão como subsídio para o desenvolvimento de tecnologias avançadas para futuros satélites. O plano é lançar um segundo nanosatélite em 2015.

"Ainda não temos desenvolvimento nacional na parte de circuitos integrados. A maioria é importada, e muitos países que estão avançados nesta área tem restrições quanto à venda destas tecnologias", explica Petry.

Sobre o lançamento feito na Rússia, Petry explica que o Brasil ainda está atrasado na parte de lançadores, agravado há cerca de dez anos com o desastre na base de Alcântara, quando um foguete lançador explodiu e matou 21 técnicos.

"Por conta deste acidente, atualmente dependemos de acordos internacionais com países como Rússia e China para lançar nossos satélites", explica o chefe do CRS.

Embora o projeto da UFSM já esteja em desenvolvimento há cerca de dois anos, nos últimos meses as atenções do Polo estavam voltadas ao projeto da portoalegrense AEL Sistemas, que ancorou em nome do Polo o projeto de um Microssatélite para o edital Inova Aerodefesa, da Finep.

No entanto, do valor inicialmente solicitado de R$ 43 milhões, o projeto recebeu apenas R$ 5 milhões. Segundo comunicado da AEL em fevereiro, e empresa e outros parceiros estão buscando alternativas de financiamento para dar prosseguimento ao projeto.

Segundo informações da assessoria da SCIT, ambos os projetos fazem parte do quadro do Polo Espacial, e prosseguem de forma independente entre si.