É Ballmer, pra tudo tem uma primeira vez. Foto: flickr.com/photos/georgholzer

Sem registro de um prejuízo trimestral desde que abriu seu capital, em 1986, a Microsoft viu seu resultado no vermelho nos últimos três meses fiscais, com US$ 492 milhões no negativo.

No mesmo período do ano anterior, a empresa somava lucro de US$ 5,87 bilhões, ou US$ 0,69 por ação, no mesmo trimestre um ano antes.

As vendas cresceram 4%, para US$ 18 bilhões, amortecidas pela lenta comercialização de PCs.

Essa mesma desaceleração nos PCs fez com que, no primeiro trimestre de ano passado, a Apple passasse a Microsoft em US$ 800 milhões em ganhos.

Na mesma época, a empresa teve uma de suas maiores quedas em ações dos últimos dois anos – uma baixa de  3,6% – em função das vendas do Windows, que também caíram.

PREVISTO
O prejuízo no último trimestre era esperado, desde que a Microsoft anunciou no início deste mês que sofreria uma baixa contábil de US$ 6,2 bilhões no valor de sua unidade online em razão de uma aquisição malsucedida.

A Microsoft também diferiu US$ 540 milhões em receita do Windows por conta de um desconto de upgrade oferecido a clientes que compraram computadores com Windows 7 antes do lançamento do Windows 8, no final de outubro.

Excluindo a baixa contábil, mas incluindo a receita diferida, a Microsoft lucrou US$ 0,67 por ação.

Nesses termos, Wall Street estimava que a empresa registrasse lucro de US$ 0,62 por ação, de acordo com o Thomson Reuters I/B/E/S. As vendas trimestrais ficaram levemente abaixo da previsão média de analistas, de US$ 18,1 bilhões.

A ação da Microsoft avançou 1,7% no after-market após fechar a US$ 30,67 no Nasdaq.

VENDENDO AÇÕES
Segundo matéria do site InformationWeek publicada em fevereiro do ano passado, o fundador e ex-CEO da empresa, Bill Gates, vendeu 10 milhões de papéis da Microsoft no início de 2011. O volume negociado passaria de US$ 280 milhões.

As informações sobre as vendas constam em documentos enviados a investidores. Os 10 milhões comercializados em 2011, no entanto, seguem uma temporada de vendas da carteira de Gates.

Em 2010, ele já vendera 90 milhões de ações, reduzindo em 13% sua participação.

Não existem dados sobre vendas de ações por Gates nesse ano.

Até o ano passado, Gates possuia 591 milhões de ações da Microsoft, chegando a cerca de 7% do 8,4 bilhões de papéis que a empresa tem. Apesar das baixas, Bill Gates segue sendo o maior acionista individual da companhia, que teve receita de US$ 62,48 bilhões em 2010.

Por trás das vendas, escreveu o Information, pode estar simplesmente um investidor buscando diversificar suas aplicações.

Ainda assim, comparada ao retorno de outas companhias nos últimos cinco anos, como Apple (38,8% de rendimento), Google (11,12%), Oracle (30%) e IBM (17,37%), diz o Information, os ganhos da Microsoft já são um mau negócio.