José Fidalgo, chefe global adjunto da área de Risk Consulting Liability da Allianz.

O fato de que TI é um aspecto cada vez mais fundamental para a operação diária das empresas,  isso todo mundo sabe. Falhas na área de tecnologia podem causar amargos prejuízos, um número crescente de gestores  já está aprendendendo.

A proteção contra esse risco, que não é tão concreto quanto um incêndio ou um roubo, mas pode causar danos bem maiores, é um novo mercado potencial a ser explorado pelas seguradoras.

Foi o que esteve explicando a jornalistas em São Paulo nesta quinta-feira, 20, o chefe global adjunto da área de Risk Consulting Liability da Allianz, José Fidalgo.

A Allianz Global Corporate & Speciality, área da multinacional alemã na qual trabalha esse executivo alemão com sobrenome português ainda é pequena, dentro do valores do mercado de seguros: faturou 5 bilhões no ano passado, menos de 5% do 110 bilhões.

O valor inclui vários tipos de ofertas para o mercado corporativo, não apenas relacionadas a TI. Fidalgo não revela o valor dos negócios envolvendo seguros de ativos de tecnologia, ou mesmo nomes de clientes, que são considerados informação confidencial.

O que está claro é que a Allianz desenvolveu um arsenal para conseguir avaliar o risco representado pelos sistemas de TI dos seus clientes e a potencial reparação em caso de imprevistos.

Afinal, já sejam softwares, um carro, uma casa ou as pernas da Cláudia Raia, o negócio sempre foi esse.

O método de avaliação envolve a sopa de letrinhas que quem trabalha com governança, risco e compliance conhece bem: ITIL, CMMI, Prince 2, Six Sigma 66 e por aí vai. A partir dessa avaliação, a Allianz avalia o cliente em cinco níveis de estruturação de TI.

A partir disso, é possível segurar um ativo intangível: mesmo um eventual prejuízo que seja causado à operação de um negócio sem que tenha havido dano físico ou perda de dados, ainda é possível cobrar o seguro a partir dos efeitos causados.

É justamente esse última camada de abstração que ainda não está disponível para o consumidor brasileiro.

“Pela nossa regulação, ainda não é possível segurar um dano financeiro sem que tenha existido um dano físico”, explica Ângelo Colombo, diretor de Grandes Riscos da Allianz Seguros. “É um assunto que está dando seus primeiros passos na Europa agora”, avalia.

Também é verdade que poucos clientes no Brasil teriam o nível de sofisticação na área de tecnologia necessária para fazer um seguro desses. De acordo com Fidalgo, o cliente típico é um integrante do ranking da Fortune 100.

De qualquer maneira, os negócios da Allianz no Brasil vão de vento em popa com as áreas tradicionais. A empresa espera faturar R$ 3,3 bilhões no país em 2012, com planos de quase dobrar o resultado para R$ 6 bilhões nos próximos três anos.

* Maurício Renner participou do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas em São Paulo à convite da Allianz.