Acesso ainda é um problema. Foto: Pixabay.

Quase a metade (44%) das pessoas com deficiência já deixaram de ir a uma entrevista de emprego por dificuldades de locomoção, numa pesquisa que ilumina um pouco as dificuldades para inclusão no mercado de trabalho.

Dentre os obstáculos apresentados para se locomover nas cidades, em primeiro lugar ficou a dificuldade por conta da qualidade das calçadas, com 63%, seguida de falta de infraestrutura acessível e transporte ineficiente e não adaptado, cada uma com 36%.

A pesquisa Catho ouviu 3.322 pessoas em setembro, sendo que 63,6% com deficiência física; 19,8% auditiva; 15,1% visual; 1,1% mental; intelectual e múltipla, com 1% cada e com transtorno do espectro autista, com 0,5%.

As mesmas dificuldades para comparecer a uma entrevista de trabalho motivaram o pedido de demissão de 37% dos profissionais com deficiência ouvidos pela Catho. 

Só que nesse caso, o transporte ineficiente e não adaptado foi o principal fator decisivo, com 56% das respostas.

"Fica claro que a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho traz desafios para toda a sociedade. E se depender da Catho, promoveremos essa discussão, a fim de ajudar a tornar as oportunidades mais justas", explica o diretor de operações da Catho, Fernando Morette.

A questão da inclusão no mercado do trabalho e da visibilidade das pessoas com deficiência está em alta. Marcas como a American Eagle Outfitters tem usado modelos deficientes em campanhas como uma forma de conscientizar sobre o assunto.

Na prática, o progresso é mais lento. Em 2015, o número de empregos para as PCDs cresceu 5,75% em relação ao ano de 2014.

Segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2015, divulgada pelo Ministério do Trabalho, 403,2 mil pessoas com deficiência atuam formalmente no mercado de trabalho, correspondendo a um percentual de 0,84% do total dos vínculos empregatícios.

Assim, observa-se o aumento progressivo da participação nos últimos anos: 0,77%, em 2014, e 0,73% em 2013.

A Lei Federal nº 8.213/91 foi criada para garantir às pessoas com deficiência que sejam beneficiárias do Programa de Reabilitação Profissional pelo Instituto Nacional de Seguro Social (Inss) a possibilidade de exercerem alguma atividade laboral.

A chamada Lei de Cotas obriga empresas com mais de 100 funcionários a reservarem de 2% a 5% das vagas de seu quadro de efetivos para essas pessoas.

A responsável nacional pelo Projeto de Inserção de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, Fernanda Maria Pessoa di Cavalcanti, afirma que a cada ano as fiscalizações vêm se tornando mais constantes para que a regra seja cumprida. Somente ano passado, foram mais de 4,5 mil autuações.

Os argumentos mais usados por quem não cumpre a lei, explica, são o alto custo para adaptar o ambiente de trabalho e a falta de qualificação profissional. “Hoje, temos 9,3 milhões de PCDs que se encaixam na Lei de Cotas, para 827 mil vagas abertas. Então tem gente, sim, para entrar no mercado de trabalho”, avalia.