Funcionário da GE em ação. Foto: GE.

A GE e a Apple fecharam um grande acordo de colaboração em torno da plataforma de Internet Industrial Predix da GE, junto com a adoção de tecnologia Apple dentro da operação da gigante industrial. 

As companhias vão construir ferramentas de desenvolvimento e aplicativos em conjunto por meio de um kit de desenvolvimento de software (SDK, na sigla em inglês) iOS para o Predix, usado por grandes clientes industriais para monitorar equipamentos como turbinas e locomotivas de trem. 

Com a parceria, a GE poderá criar apps nativos em iOS, fazendo uso total de tecnologias como iBeacons, o giroscópio e as funcionalidades de realidade aumentada dos últimos iPhones.

Ao mesmo tempo que a GE adotará o iPhone e iPad como equipamento corporativo para os seus 330 mil empregados, além de oferecer Macs como uma opção de desktop.

Existe uma grande movimentação de gigantes industriais como a GE visando aproximação com empresas de tecnologia, visando criar uma oferta combinada de equipamento, sensores, processamento e software analítico que possa entregar a chamada Indústria 4.0.

A ABB, gigante suíça de automação industrial, fechou um acordo com a Microsoft, e própria GE já tinha parcerias para o Predix com a HPE para uso de infraestrutura na nuvem, assim como com a Indra, uma multinacional espanhola com forte presença na área de utilities.

A Apple, por sua parte, fechou um acordo similar em torno de um kit de desenvolvimento de aplicativos empresariais para iOS com a SAP. 

Outros acordos de tecnologia foram firmados com Cisco e IBM. Na área de equipamentos, grandes empresas como Deloitte e Accenture já tem práticas Apple.

Mas o endosso que a GE está dando para a Apple no meio corporativo está em outro nível.

A GE é uma empresa centenária berço de doutrinas de gestão que marcam época, além de ser considerada um negócio conservador nas suas escolhas.

Que uma organização como a GE decida distribuir iPhones e Macs aos funcionários é um reforço e tanto no argumento de venda da Apple para corporações, um mercado no qual a empresa não tem a entrada que tem no mundo do consumidor final.

Está se formando um business case para a Apple em empresas, Apesar das máquinas serem muito mais caras que um PC com Windows. 

A IBM divulgou no ano passado, depois de adquirir 100 mil Macs, que só 5% desses usuários acionaram o help desk, contra 40% de PCs com Windows, um dos motivos pelo qual a empresa afirma ter feito uma economia em custos de propriedade de US$ 273 a US$ 543 por Mac.

Mesmo assim, só no ano passado a Apple entrou na lista dos 15 maiores fornecedores do mundo corporativo, um mercado que representa apenas 10% da sua receita. Em se tratando de Apple, é claro, isso é um oceano de dinheiro: US$ 25 bilhões.