Cristiano Franco.

A Poatek, empresa de desenvolvimento de software sediada em Porto Alegre, deve fechar o ano com um faturamento de R$ 7,5 milhões, uma alta de 114% frente aos resultados obtidos em 2016, o seu primeiro ano de atuação.

Para 2018, a meta é dobrar novamente, chegando a R$ 15 milhões. Hoje com 35 funcionários, a Poatek quer ser uma boutique de desenvolvimento de TI, com uma equipe acima da média focada em projetos internacionais, que hoje somam 90% do faturamento.

"Estamos mirando no nicho de médias empresas do setor financeiro nos Estados Unidos com problemas de desenvolvimento complexos. Esse tipo de cliente não tem acesso lá ao nível de profissionais que nós oferecemos", afirma o CEO da Poatek, Cristiano Franco.

Franco fez carreira na Dell, onde entrou como trainee e passou 10 anos, chegando a ser gerente de programa sênior de TI. 

Em determinado momento dessa trajetória, Franco percebeu que progredir profissionalmente envolveria deixar o país, uma opção que ele não estava disposto a considerar.

"Me dei conta que pelo estágio de Porto Alegre como um hub de tecnologia, essa situação poderia ser uma oportunidade para quem oferecesse projetos desafiadores e a remuneração certa", comenta Franco.    

Franco afirma que a Poatek avalia 100 nomes para fazer uma contratação, fazendo uma espécie de processo seletivo permanente.

Desde o começo dos anos 2000, a capital gaúcha se tornou um polo de atração para operações de desenvolvimento de software de multinacionais como HP e Dell, inicialmente instaladas no parque tecnológico da PUC-RS, o Tecnopuc.

A tendência foi reforçada mais tarde pelo Tecnosinos, parque tecnológico da Unisinos em São Leopoldo, na região metropolitana, onde atualmente está instalado um centro de desenvolvimento e suporte da SAP.

Hoje essas empresas empregam algumas centenas de profissionais no Rio Grande do Sul e serviram como um passaporte para fora do estado e do país para outras centenas, que eventualmente podem querer voltar, mas não enxergam oportunidades de trabalho.

Esse público, mais os profissionais sênior de empresas de desenvolvimento locais, é o alvo de Franco, que afirma ter construído uma empresa com projetos desafiadores o suficientes para satisfazer os melhores profissionais.

Franco está alavancando esses contratos por meio do seu próprio network, e, mais recentemente, pelo de Lando Kravetz, um gaúcho que foi head de vendas para América do Norte de serviços de infraestrutura da Capgemini e está baseado hoje em Miami. Assim como Franco, Kravetz é investidor em startups aceleradas pela Ventiur.