Consultores da Engineering ajudaram a redesenhar a TI da Volvo. Foto: divulgação.

A Volvo Cars, gigante sueca do mercado automotivo, começou a reformar sua estrutura de TI no Brasil com a consultoria da Engineering, multinacional italiana especializada em transformação digital.

Iniciada em novembro, a primeira fase de implantação do projeto conta com os itens considerados prioritários para a empresa, que são cloud, API, RPA, API vision e melhorias de ERP.

A estrutura da nuvem e de API Vision serão da Google. Transformando fotos em dados, a  esta tecnologia deve ser importante para a documentação dos veículos, já que faz uma série de cruzamentos de informações, como validar duplicidade de documentos.

Para fazer as APIs e o motor de integração das aplicações, a empresa indicou a plataforma da Kong e, para o RPA, a fornecedora será a empresa Nice Systems.

No ERP já utilizado pela Volvo, que é da SAP, serão realizadas melhorias.

De acordo com a Engineering, a empresa desenhou uma macro arquitetura de como seria um modelo futuro, fazendo indicações de fornecedores para as tecnologias. A contratação de cada um foi decidida pela Volvo.

Com duração prevista de cinco a sete meses, esta primeira fase é voltada ao fluxo de vendas diretas e ao controle de frota. No entanto, as novas tecnologias deverão servir de base para a implantação dos processos das outras fases, que serão cinco.

Na segunda fase, entram as melhorias fiscais, controle e gerenciamento de marketing e inteligência de mercado, além da gestão de estoque do pós-venda.

Já fase três está relacionada à área de recursos humanos, envolvendo todos os processos de admissão, recrutamento, gestão, treinamento, benefícios e folha de pagamento.

O quarto momento será voltado ao controle financeiro e o quinto, ao setor jurídico.

De acordo com a Engineering, o projeto pode atingir um nível de maturidade bastante avançado em dois anos, caso todos os itens sejam executados ao mesmo tempo. A previsão é ter tudo concluído em quatro anos.

Sem time de TI no Brasil, a equipe da Volvo responde para a central da Suécia e estava gastando um volume de dinheiro considerado muito alto em projetos isolados. 

A Engineering começou a atuar no início de 2019 na Volvo, fazendo um diagnóstico de maturidade digital. 

A empresa buscou, inicialmente, entender o negócio, a operação e os direcionadores estratégicos da indústria, além do modo como as atividades e os processos eram executados de acordo com o suporte de cada um dos sistemas existentes.

Aproximadamente 60 sistemas foram identificados pela Engineering, que estima que mais da metade sejam locais e cerca de 40%, de nível global.

A nível mundial, eles são desenvolvidos nas fábricas da Suécia, China e Estados Unidos. É o caso dos sistemas embarcados nos veículos, como os relacionados a reparos e ao controle de fabricação desde o chassi.

Já os sistemas locais são muito mais relacionados à operação brasileira, como os voltados a tributos, modelos de vendas e, no geral, questões que envolvem a legislação do país. 

De acordo com a empresa, a união de todas essas soluções resultou, ao longo do tempo num grande legado de aplicações com poucas interfaces.

Com relação aos processos da empresa, 186 deles foram mapeados, o que corresponde a 80% do legado sistêmico que suporta áreas-chaves dentro da operação da Volvo no Brasil. 

A partir dessas informações, a consultoria desenhou o plano de melhoria da eficiência operacional, aplicando tecnologias diferentes e sugerindo melhorias nas aplicações já utilizadas.

Neste sentido, foram priorizados os processos core da companhia e as aplicações mais utilizadas, levando em consideração a implantação e remoção de tecnologias e integrações, além da adoção de robôs para reduzir processos manuais.

Um exemplo que deve ser implantado é um chatbot para concessionários, onde eles poderão fazer os pedidos de vendas com uma interface que usa um API para as informações serem direcionadas ao ERP.

Com o projeto, a Volvo espera reduzir 60% do tempo para a execução dos processos, 80% dos processos dependentes do uso de arquivo de dados e 25% de processos dependentes de arquivos textos. 

Algumas mudanças também já foram feitas com relação a pessoas, reestruturando áreas e realocando funções.

“Pela falta de sistemas que se conversavam ou que otimizavam o trabalho humano, não conseguíamos implementar melhorias e novos modelos de negócio. Agora vamos ter mais eficiência operacional para nos prepararmos, de maneira antecipada, para o futuro da indústria automotiva e para iniciativas que ainda não são trabalhados no Brasil”, afirma Rafael Ugo, gerente de business intelligence da Volvo Brasil.

Para a Engineering, o que se espera é ter um fluxo de processo integrado contínuo, de confiabilidade e de integridade das informações, além de um ganho de eficiência operacional de, no mínimo, 30%. 

Outro ponto é minimizar riscos de perda de negócios e de autuações fiscais.

“Olhando para uma Economia Digital, que busca por serviços cada vez mais compartilhados e exclusivos, a Volvo Cars passa a vislumbrar um cenário futuro, cujo modelo de negócio necessitará da renovação da marca por conta da oferta de novos produtos”, ressalta Paulo França, gerente de consultoria digital da Engineering.

Com mais de 150 empresas atendidas no Brasil, a Engineering é uma multinacional italiana com presença no país desde 2008. 

A empresa tem mais de 600 funcionários nos escritórios de Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André e Vitória, além de uma filial em Buenos Aires.