José Rubens Tocci.

A Engine, empresa do grupo TechTrends focada no mercado SAP, quer crescer focando exclusivamente em uma combinação – nuvem e métodos ágeis – que ainda está dando os primeiros passos na maioria dos parceiros da multinacional alemã.

A empresa está investindo pesado nisso. Desde 2013, quando começou a oferta do ERP All in One na nuvem, a companhia já gastou R$ 20 milhões em licenças da SAP e infraestrutura no data center da IBM em Hortolandia. Para este ano, a previsão é investir mais R$ 17 milhões.

O retorno é composto pelo aluguel das licenças e da capacidade computacional para os clientes. A Engine não revela seu faturamento, mas a estratégia está dando resultado. Em 2015, a empresa espera fechar contratos no valor total de R$ 55 milhões.

O pagamento pelos contratos, no entanto, virá em suaves prestações ao longo de meses. O contrato mínimo da Engine é de cinco anos e um dos 14 contratos já assinado chega há 12 anos.

Algumas das empresas clientes são a  Petroplus, representante oficial da STP no Brasil, a Bioenergy, especializada em energia eólica e o centenário laboratório Daudt.

“A demanda por contratos mais longos tem partido dos próprios clientes, que vem os custos baixarem a medida em que se comprometem por prazos maiores”, explica José Rubens Tocci, presidente da Engine, revelando que inicialmente a empresa fechava contratos mínimos de três anos.

O gap nos investimentos adiantados e a rentabilidade a longo prazo está sendo coberta por uma combinação de financiamento mais práticas de implantação.

O financiamento vem da Globalway, um fundo de investimento que está bancando o gasto em infraestrutura.

O aspecto metodológico, que permite à Engine cortar custos de implementação por meio de uma abordagem baseada em nenhuma customização e metodologia ágil de desenvolvimento.

Dentro dessa ordem de coisas, a abordagem de métodos ágeis, com interação constante entre cliente e fornecedor e pequenas entregas é uma garantia adicional de que os prazos serão cumpridos, avalia Tocci

A média dos projetos é de seis meses, o que, de acordo com a empresa, é 80% abaixo do padrão típico de mercado.

De acordo com o empresário, o modelo de software na nuvem só faz sentido com baixa customização, um conceito que, de acordo com ele, tem impedido players tradicionais de decolarem nessa modalidade.

“Não adianta nada ter o produto na nuvem se cada upgrade vai gerar uma demanda por refazer customizações”, comenta Tocci.

O desafio a longo prazo da Engine é provar que o modelo é escalável a medida em que a base de clientes cresce e se diversifica.

A experiência das implantações tradicionais mostra que a coisa não é fácil. Segundo estudo publicado ERP Report 2014, da Panorama Consulting, 72% dos projetos de ERP ultrapassaram o tempo de implementação previsto inicialmente, resultando em um prazo médio de 16 meses. 

A demora na entrega é um dos fatores que desencadeia ainda a falta de previsibilidade de custos. De acordo com o estudo, 54% dos projetos de ERP excederam o budget inicialmente previsto.

Tocci acredita que o problema é oriundo de uma combinação de clientes que não sabem aproveitar o software que estão comprando e implementadores que faturam em cima desse desconhecimento faturando quatro reais sobre cada real de licença vendida fazendo customizações que seriam desnecessárias.

“Nós não estamos no negócio de implementação de software, mas de gestão de mudanças. Nós damos um prazo para entregar o sistema e se ele não é cumprido o prejuízo é nosso”, garante Tocci.