Tiago Pereira, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Foto: Divulgação.

O professor Tiago Pereira, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foi selecionado para receber até R$ 1 milhão do Serrapilheira, instituto privado de fomento à ciência brasileira. 

Os recursos serão aplicados para desenvolver uma teoria matemática capaz de descrever comportamentos em sistemas dinâmicos não-lineares tais como o cérebro, as redes sociais e os sensores de cidades inteligentes.

“Nós entendemos relativamente bem o que acontece quando um sistema está isolado. Por exemplo, sabemos o que um neurônio isolado faz. Mas na natureza as coisas interagem. Então, o comportamento de um elemento depende do que acontece em sua volta e o que esse elemento faz na rede é bastante diferente do que ele faz quando está isolado”, explica o pesquisador. 

De acordo com Pereira, o estudo tem potencial para contribuir com a compreensão sobre as transformações críticas que ocorrem nas redes complexas desses sistemas e que levam, por exemplo, ao surgimento de doenças como a epilepsia. 

“Nosso sonho é, a partir de observações do sistema no estado saudável, prever quando e como essas transições indesejadas ocorrem. Assim, conseguiríamos desenvolver mecanismos de prevenção e tratamentos”, detalha. 

Selecionado na primeira chamada pública de apoio à pesquisa científica do Instituto Serrapilheira, o pesquisa já havia recebido apoio financeiro de R$ 100 mil ao longo do último ano, assim como outros 64 pesquisadores contemplados entre os 1.955 inscritos. 

Agora, ele está entre os 12 cientistas que receberão até R$ 1 milhão cada. Pereira vai utilizar os recursos para montar um time interdisciplinar.

Do financiamento de R$ 1 milhão disponibilizado aos pesquisadores selecionados, R$ 700 mil são concedidos de forma incondicional. Os R$ 300 mil restantes estão condicionados à integração e formação de pesquisadores de grupos sub-representados em suas equipes de pesquisa. 

A adesão a esse mecanismo é voluntária, ou seja, os pesquisadores podem optar por receber ou não o valor destinado às práticas de estímulo à diversidade.

Graduado em Física pelo Instituto de Física da USP, Tiago fez doutorado em matemática aplicada na Potsdam Universitaet, na Alemanha. Depois, fez cinco pós-doutorados em diferentes instituições no Brasil e no exterior. Desde 2015, é professor do ICMC.