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Teradata processa SAP por Hana

Maurício Renner
// quinta, 21/06/2018 07:58

A Teradata está processando a SAP, alegando que a gigante alemã de ERP roubou propriedade intelectual de produtos de data warehousing da companhia e usou os mesmos para criar o banco de dados em memória Hana.

Parceria entre Teradata e SAP acabou na justiça. Foto: Pixabay.

A origem da discórdia é o Bridge Project, uma joint venture lançada pelas duas empresas em 2008 visando combinar aplicações de gestão da SAP com arquitetura de processamento paralelo da Teradata. 

De acordo com a Teradata, a SAP encerrou a joint-venture dois meses depois de lançar o Hana em 2011. 

“A SAP não poderia ter desenvolvido e colocado o Hana tão rápido no  mercado sem o roubo de informações confidenciais da Teradata”, afirma a companhia.  

A acusação da Teradata vai além, dizendo que a SAP se aproveitou da sua posição dominante em sistemas empresariais para “forçar os clientes” a adotarem o Hana em detrimento de outras tecnologias de data warehousing.  

O S/4, a nova geração de softwares da SAP, roda exclusivamente usando o Hana como software de banco de dados, rodando sobre hardware homologado.

“Devido aos altos custos de trocar de provedor de ERP, os clientes da SAP estão na prática presos aos ERPs da empresa e a SAP agora está tentando prender eles também a só usar Hana no mercado de enterprise data analytics e warehousing também”, afirma a Teradata.

De acordo com a queixa da Teradata, a SAP “restringiu significativamente o acesso da Teradata ao dados derivados do SAP dos clientes”, numa tentativa de “bloquear a Teradata de vender soluções para muitas das maiores corporações do mundo”.

Na versão da Teradata, a SAP tinha “essencialmente nenhuma presença” no mercado de  enterprise data analytics and warehousing e que “estratégia anticompetitiva da SAP” resultou em “perdas irreparáveis e perda de market share na indústria na qual a Teradata é pioneira”.

O objetivo da Teradata  é buscar uma liminar barrando a “conduta ilegal” da SAP, além de uma indenização por perdas e danos. 

A Teradata está no mercado desde 1979. Foi adquirida pela gigante de POS e caixas NCR em 1991. Em 2007, a NCR decidiu fazer um spin off e a empresa voltou a ser independente.

Desde 2010, a empresa vem tentando se posicionar como um player no mercado de Big Data. 

A empresa compete com alguns produtos da Oracle, IBM, Microsoft e SAP IQ, além das novas distribuições baseadas na plataforma aberta Hadoop.

A Teradata é uma empresa média, com faturamento de US$ 2,2 bilhões no último ano fiscal, uma queda de 7%. A empresa também entrou no vermelho em 2017, com prejuízo de US$ 67 milhões.

Conflitos judiciais como o que a Teradata está iniciando com a SAP são frequentes no meio de tecnologia, tendo como exemplos famosos a disputa entre Apple e Samsung ou entre Google e Oracle.

No caso Teradata x SAP, o aspecto central provavelmente será a relação entre as duas empresas durante o período da joint venture e se a Teradata consegue provar que a SAP efetivamente descumpriu parte dos acordos assinados então.

Parece menos provável que a essência do modelo de negócio do S/4 seja contestada, uma vez que esse tipo de abordagens de mercado é bastante comum no setor de tecnologia.

O processo vem em um mau momento para a SAP, que vem tentando dirimir dúvidas dos seus clientes sobre a migração para o Hana e software em nuvem, ao mesmo tempo em que lança uma ofensiva sobre o mercado de CRM.

Maurício Renner