Noize lança clube para amantes do vinil. Foto: Getty Images.

Há quem diga que o mercado de música física está morto, com a chegada e popularização de meios digitais de reprodução e serviços de streaming como Rdio, Deezer e Spotify. No entanto, a gaúcha Noize, empresa metade editora de revista, metade agência digital, está apostando em um clube online de assinaturas de discos de vinil para quem ainda gosta de "pegar a música" nas mãos.

O Noize Record Club (NRC) funcionará com edições trimestrais, que virão com um exemplar da revista, acompanhado de um LP selecionado pela equipe da revista, além de "outros brindes", segundo destaca o diretor de criação da Noize, Rafael Rocha.

"Sempre quis fazer algo diretamente ligado ao formato e à Noize em si. Conheço diversos serviços de assinatura, que tem em comum um nicho específico e uma demanda a ser preenchida", afirmou Rocha.

Ao falar de serviços de assinatura, o diretor se refere a iniciativas como o Have a Nice Beer (cervejas), Wine.com.br (vinhos), Petsy (ração para animais), e o Meia em Casa (de meias).

No exterior, existem sites de assinatura de discos de vinil como o Vinyl Me, Please e o Feedbands. Na América Latina, o NRC é o primeiro produto desta natureza.

Para assinar as edições do NRC, o interessado pode pagar um valor trimestral de R$ 68  referente a assinatura do ano todo, ou o valor de R$ 88, caso o interesse seja apenas uma edição específica.

A primeira edição, já lançada, é o álbum da banda gaúcha Apanhador Só, Antes Que Eu Conte Outra, lançado no ano passado, mas prensado especialmente em vinil para o serviço da Noize.

Para tornar o produto mais atraente aos mais antenados no formato, o LP vem em vinil colorido vermelho de 140g em uma tiragem de 400 exemplares. A produção executiva das edições - incluindo revista e LPs - fica por conta Noize, que repassa os royalties aos artistas.

A iniciativa da Noize encontra ressonância no mercado. Segundo dados do jornal O Globo, a venda de discos de vinil aumentou em nosso país nos meses de março e abril. A gravadora Polysom, única a efetivamente que fabrica em larga escala as bolachas por aqui, registrou um aumento de 126% em vendas nestes meses. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, houve um crescimento de 81%.

"Eu via que diversos amigos me perguntavam onde comprar, onde conseguir os discos. O que fiz foi unir uma demanda específica com um conceito, e principalmente, uma ideia diferente", destacou Rocha.

Perguntado sobre possíveis extensões do projeto, como uma plataforma de venda de discos ou um selo voltado ao vinil, Rafael evadiu, afirmando que o foco é fazer o clube ficar mais popular.

"Acho que com certeza tem o potencial de crescer mais ainda, porém é obvio que nunca vai ser um meio blockbuster, ou principal, para o mercado da música. É um produto de nicho sim, para quem realmente gosta de música, e tem apreço pela experiência de sentar e ouvir um disco", avalia Rocha.

Para as próximas edições, o NRC já tem um pipeline definido de lançamentos, embora guarde as informações a quatro chaves.

"Estamos estudando muito bem as próximas edições, e estou bem ansioso para divulgar. É um projeto totalmente limitado, uma experiência nova. A questão não é a sua percepção anterior ao disco, e sim a que você vai ter depois de tê-lo rodado e lido", finaliza Rocha.