André Clark, CEO da Siemens no Brasil. Foto: Divulgação.

A busca por eficiência energética deve nortear os projetos de transformação digital na indústria brasileira. Essa é a visão da Siemens, que também considera as mudanças no segmento de energia como uma grande oportunidade no país.

Nesta semana, André Clark, CEO da Siemens no Brasil, falou sobre o assunto durante uma palestra na Reunião-Almoço da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul.

“Os primeiros passos para a digitalização devem ser dados na gestão da eficiência energética. Hoje, 90% das minhas conversas sobre digitalização com clientes começam com foco nesse tema e na digitalização dos processos para reduzir o consumo de energia, que no Brasil tem preço particularmente alto”, destaca Clark.

Para ele, o processo de transformação digital faz parte do movimento de transição energética pela qual o Brasil passa.

“O Brasil está a caminho de se tornar uma potência energética. Em poucos anos, o país se tornará o 5° maior produtor de petróleo do planeta e um grande exportador de petróleo de altíssima qualidade”, relata.

Assim, a transição energética ainda envolve descarbonização e descentralização, como em outros lugares do mundo.

“No entanto, diferentemente da Europa, da China e dos Estados Unidos, a transição brasileira não é sobre a fuga do carvão, mas sim sobre como utilizar a grande variedade de fontes que o país possui, como agroenergia, gás, solar, eólica e hidráulica.

A Siemens enxerga esse movimento como uma oportunidade de crescimento para a indústria. Para Clark, uma baixa taxa de juros e um ambiente relativamente atraente para investimentos em energia fará com que alguns investidores se movam para a área de geração distribuída.

“No centro da revolução energética está uma característica chamada de “prosumer”, em que consumidores começam a virar também produtores. O movimento no Brasil envolve essa tendência e a criação de plataformas digitais de comercialização de energia”, acrescenta.

Como tendências que devem ser avaliadas como oportunidades nesse segmento, a Siemens ainda coloca mobilidade elétrica (tanto coletiva como individual), tecnologias power-to-gas, motores a gás, refrigeração e consumo digital de energia.