Jamile Sabatini Marques, diretora de Inovação e Fomento da Abes.

As empresas de TI desconhecem e usam pouco os mecanismos de fomento do setor disponibilizados pelo governo.

É o que aponta uma pesquisa da Abes com 312 empresas, cerca de um terço da sua base de associados, na qual apenas 14% informaram utilizar ou ter utilizado alguma linha de crédito para inovação e fomento.

Outras 44% disseram não conhecer o suficiente as fontes de verbas disponíveis no país.

“Esse resultado demonstra claramente que ainda existe uma grande necessidade de divulgação das entidades gestoras desses recursos para estimular e atrair as empresas para adoção esses instrumentos de apoio”, comenta Jamile Sabatini Marques, diretora de Inovação e Fomento da Abes.

Por outro lado, em média, cada uma dessas 44 empresas que já se beneficiaram utilizou mais de uma vez um recurso disponível.

“Isso demonstra que as empresas que têm interesse percebem a importância desses mecanismos e repetem a operação”, diz Jamile.

A diretora da Abes conhece bem o mercado do Sul:  é catarinense, foi por quase 10 anos diretora executiva da Acate e coordenadora do Midi Tecnológico, incubadora gerida pela entidade.

Além de ser diretora na Abes, atua como conselheira da Pixeon, pesquisadora sobre Smart Cities na UFSC e Presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação da Fecomércio-SC.

Entre as soluções que os entrevistados afirmam já ter utilizado aparecem os da Finep com 47% de beneficiados; FAP (Fundos de Amparo a Pesquisa), com 15%; BNDES, com 13%; CNPq, com 7%, BRD (Bancos Regionais de Desenvolvimento), com 8% e recursos de Incentivo Fiscal, com 4%.

A falta de conhecimento sobre essas fontes de incentivo foi a principal razão apontada por 56% das empresas que afirmaram nunca ter se beneficiado.

Como segundo motivo, as empresas citaram que tentaram obter o apoio, mas não tiveram êxito.

Em terceiro lugar, apontaram como o item “ outros”, que se enquadram nas seguintes razões: utilizam recursos próprios; burocracia; garantias incompatíveis; processo demorado; falta informação dos gestores das linhas e falta de equipe interna.

A pesquisa também avaliou as razões pelas quais as empresas tentaram acessar os benefícios e não conseguiram. As três primeiras causas apontadas foram Processo Rejeitado, Falta de Orientação e Processo Complexo, somando 54% das indicações.

Sobre a aplicação dos benefícios, 76% das empresas entrevistadas citaram “Pesquisa e desenvolvimento” como o principal destino desses incentivos, o que significa um forte indicativo de que as empresas buscam a inovação para obter crescimento. 44% dos pesquisados buscam apoio para comercialização de seus produtos com aplicações em Marketing, Vendas e participação em feiras.

Já 25% das empresas demonstraram interesse na aplicação em atividades para internacionalização e exportação.

76% dos pesquisados apontaram as linhas disponíveis de crédito para Inovação e Fomento do BNDES como as que eles mais têm interesse em conhecer e se manter atualizado. O Finep e o Sebrae ficaram em segundo e terceiro lugar, com 65% e 45%, respectivamente.

As empresas apontaram ainda os recursos financeiros (incluindo capital, infraestrutura e máquinas e equipamentos), como o principal componente para a inovação de seus negócios, com 47% das respostas.

As empresas associadas à Abes representam algo em torno de 80% do faturamento do segmento de desenvolvimento e comercialização de software no Brasil e 33% do total do setor de TI, equivalente em 2012 a US$ 60,2 bilhões.