Genoma será pesquisado na World Community Grid. Foto: Shutterstock.

Uma parceria entre a IBM, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a universidade australiana de New South Wales, usará o poder de processamento de milhões de computadores para realizar pesquisas sobre o genoma humano.
 
O projeto, chamado "Desvendando Mistérios de Genomas", será hospedado no World Community Grid, iniciativa de IBM criada há cerca de dez anos que reúne o poder de processamento de três milhões de computadores ociosos, em uma espécie de supercomputador virtual.

A iniciativa fará cerca de 20 quatrilhões de comparações de 200 milhões de genes subjacentes a uma grande diversidade de organismos. O esforço normalmente exigiria que um PC dispendesse 40 mil anos para a realização de cálculos contínuos, mas o poder computacional do World Community Grid reduzirá a tarefa para meses de trabalho.  

Com o pode computacional, a pesquisa permitirá entender as semelhanças genéticas de diferentes formas de vida, dando informações para que cientistas produzam compostos para novos medicamentos, materiais ecológicos, plantações mais resistentes, além de ar, água e energia mais limpos.

O projeto processará sequências de proteína das mais diversas formas de vida, em especial microrganismos, devido à sua onipresença e importância. Eles controlam uma enorme variedade de processos naturais envolvidos com a saúde humana,, a produção de alimentos  na agricultura e aquicultura.

De acordo com o coordenador do projeto na Fiocruz, o pesquisador Wim Degrave, a Fundação reunirá dados de referência das proteínas da biodiversidade que foram formatadas para o projeto.

"As páginas da internet ficarão visíveis e acessíveis na instituição. E disponibilizaremos um banco de dados com todas as informações", destaca Degrave.  

Criado e gerenciado pela IBM há quase uma década, o World Community Grid fornece a capacidade de processamento ociosa dos computadores e dispositivos móveis de voluntários do mundo todo, durante o período em que os aparelhos não estão sendo utilizados, criando um dos mais rápidos supercomputadores virtuais do planeta.

O software recebe, completa e retorna pequenas tarefas para os cientistas, acelerando o trabalho em centenas de anos e proporcionando uma capacidade quase ilimitada para trabalhar grande quantidade de dados, sem qualquer custo.      

Segundo Alcely Barroso, diretora de Cidadania Corporativa da IBM BRasil, somente neste ano, a empresa teve mais 25 adesões de empresas e organizações brasileiras ao programa, doando a capacidade de processamento de seus dispositivos quando estão ociosos.

"Na América do Sul já alcançamos quase 16 mil organizações parceiras. Atualmente, são cerca de 670 mil voluntários do World Community Grid em todo o mundo. Todos em prol das pesquisas científicas, que usualmente processam volumes cada vez maiores de dados”, conta Barroso.

São quase três milhões de computadores e dispositivos móveis utilizados por mais de 670 mil pessoas e 460 instituições de 80 países.