Muitos alunos dizem não aproveitar o ensino a distância. Foto: Pexels.

A maioria dos alunos do ensino superior brasileiro (54%) estreou no ensino a distância como consequência da pandemia do coronavírus.

A cifra é de um levantamento realizado por pesquisadores da Universidade Presbiteriana Mackenzie com 735 alunos sendo 84,3% estudantes da rede privada e em sua maioria na faixa de 18 a 30 anos.

O dado chama atenção, tendo em conta que mesmo os cursos presenciais são autorizados pelo Ministério da Educação a oferecer 20% do currículo à distância desde 2018, cifra foi aumentada para 40% para alguns cursos em particular no final de 2019.

A pouca experiência com esse tipo de ensino se reflete no fato de que 24% diz “não aproveitar as aulas online”.

Entre os motivos citados, a grande maioria (78%) aponta a “falta a intensidade que o presencial proporciona”, além de dificuldade de acesso à tecnologia (29%), a não compreensão (40%) ou falta de interesse (33%) das propostas on-line.

Mesmo assim, 66% dizem ter participado de todas as aulas e 23% de uma parte. 

Dos que não participam, os motivos variam consideravelmente, mas os principais responsáveis são a impossibilidade de organizar a rotina para estudar (45% dos alunos). 

Em torno de 15% dos alunos disseram não ter recursos tecnológicos para acompanhar o estudo. 

Por outro lado, 30% disseram ter recursos, mas não se adaptaram ao sistema on-line. Outros 28% disseram que não concordam ou acreditam na eficácia do estudo on-line.

O estudo analisou o oferecimento das aulas on-line de universidades públicas e privadas e concluiu que 79,2% das instituições estão com todas as disciplinas on-line, 12,5% estão de maneira parcial e 8,3% estão com todas as aulas suspensas. 

DEBANDADA E CALOTE

O desafio de implantar operações de ensino à distância de uma hora para outra talvez seja o menor que as instituições de ensino superior enfrentam em 2020.

Um estudo do Semesp, entidade que reúne mantenedoras de ensino superior no Brasil, revelou que 608 mil alunos do ensino superior privado desistiram ou trancaram a matrícula no primeiro semestre de 2020, 14,7% a mais do que no mesmo período do ano passado.

De acordo com o site Uol, outros 565 mil ficaram inadimplentes no semestre, 29,9% a mais do que no ano anterior.

O levantamento foi realizado com 53 instituições particulares de ensino superior. A maior parte delas (67,4%) atende até 7 mil alunos, porte considerado como pequeno ou médio. 

Para a entidade, efeitos causados pela pandemia, como o crescimento do número de desempregados, redução da renda dos trabalhadores e incertezas sobre o retorno das aulas presenciais contribuíram diretamente para o aumento das taxas.